Entrevistado Luiz Eduardo Rocha

 

Luis Eduardo Rocha é um especialista em pistas e apaixonado pelas ruas. Em 2011, sagrou-se campeão do Troféu Brasil de Atletismo Máster nas provas de 800m e 1.500m.

Por Josué Júnior

Conte um pouco da sua história?

Luiz Eduardo: Sou atleta há 39 anos, me motivei em 1972 nas Olimpíadas de Monique. Fiquei tocado com a prova dos 800 metros na qual me especializei, e evoluí. Depois de um tempo parado, voltei a competir com a equipe que montei para atuar na categoria máster. Estou muito satisfeito.

 Você falou em Categoria Máster, como você vê essa categoria com relação a apoio? Qual é o seu olhar?

Luiz : Vejo as pessoas motivadas, mas existe uma falta de estrutura. Dentro da minha equipe dos mais velozes, temos cinco atletas que estão disputando as provas. O movimento de corrida aumentou muito no Brasil e com isso há uma infinidade de pessoas que praticam exercícios físicos para uma melhor qualidade vida, e são máster porque já estão bem financeiramente. Então eles veem na corrida um jeito mais fácil para fazer isso. E o atletismo Máster precisa dessas pessoas. Mas existe uma falta de informação para as pessoas que chegam para praticar; eles não sabem em qual prova entrar.

Quando você sinaliza que falta informação, onde está o ponto chave para se ter bons Atletas Máster ?

Luiz : Uma melhor divulgação da própria Associação dos Atletas e trabalhar junto com os organizadores de ruas. Na verdade, o organizador de corrida de rua visa lucro e nós amantes do esporte queremos uma melhor estrutura, porque a corrida de rua é o desdobramento do atletismo, e para desenvolver a corrida de maneira correta, é praticando o atletismo. Praticando o atletismo você vai desenvolver a mecânica certa e o fortalecimento da filosofia da forma certa.

 Estamos vivendo um momento de Olimpíadas, como você vê o Brasil para esse momento do Máster e qual é a sua perspectiva?

Luis:  Tudo precisa de uma preparação. No Brasil não falta dinheiro, o que falta é um bom gerenciamento. Temos um bom material humano, bons atletas, mas precisamos de mais técnicos; precisamos de mais pessoas para identificar e prepará-los.  A questão de estrutura é falta de conhecimento para pessoas que estão ocupando cargos esportivos, faltando respeito deles para valorizar o que eles já encontraram. Se você entrar em qualquer secretaria, de qualquer governo vai encontrar lá o esporte, e eles não respeitam isso. O que é feito é oprimir o esporte, quando não chega verba destinada para ele. Se o atleta não tem participação efetiva nos grandes eventos, não pode esperar muita coisa dele em uma Olimpíada. Recentemente, teve um campeonato mundial onde os brasileiros não tiveram bons desempenhos.

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 Isso vai refletir aqui?

Luis : Sim, esse desempenho negativo no mundial vai ser visto aqui nas Olimpíadas, porque no campeonato mundial tem gente do mundo todo, então se o brasileiro não obteve boa colocação lá, que é uma utopia e uma alucinação que se tenha algo positivo nas Olimpíadas.

 Então você acredita que haverá uma decepção igual a que foi a Copa do Mundo?

Luis : Na verdade, não há a menor possibilidade de se fazer uma comparação do atletismo com o futebol. Todos os caras que estavam no fatídico 7×1 são milionários, eles poderiam perder de 20×0; não faz diferença para eles, pois eles participam de grandes clubes. Eles têm uma grande estrutura à volta não falta nada para ele a não ser a vergonha. Eles participam de campeonatos de altíssimo nível, já no caso do atletismo brasileiro, muitos participam de campeonatos de altíssimo nível, mas eles não são milionários, todos correm com alguma preocupação de algum problema financeiro. Então não existe isso de fazer essa comparação do atletismo com o futebol. Gerar alguma expectativa dos atletas brasileiros é a estupidez colocada em prática.

 Você acha que é a grande mídia que está colocando que vamos ter heróis, e que isso não vai ter, ou seja, o que vai ter são atletas com muitas limitações? E que eles vão lutar e brigar pelo nosso Brasil?

Luis: Exatamente isso! Lutar pelo Brasil é algo que precisa ser revisto. O sucesso de cada atleta é pessoal. A gente só sente o Brasil quando há um grande evento. E quando tem um pequeno evento? Hoje estamos em um pequeno evento, e isso aqui hoje é o que eu chamo de exercício de guerra, pois você tem que estar afiando a sua espada, praticando para o momento maior de se ter uma boa desenvoltura. Você tem que reconhecer o que fez, pois no treinamento não existe sorte. Se você se formar em Harvard, Oxford, Cambridge, você precisa fazer estágio para praticar com propriedade e segurança. E é a sua profissão, então tem que ser respeitado. A mídia não faz um trabalho para reconhecer os nossos atletas, e não se sabe quem é o melhor saltador, velocista, arremessador, etc.. Aí acontece uma Olimpíada sem saber quem são os nossos atletas e, ainda querem que se faça mágica e que se tenha heróis! E ainda mais, ter heróis em cada modalidade! O Marilson quando ganhou a maratona de New York, foi empenho pessoal, foi com dinheiro dele, ele quis fazer isso. Wanderley Cordeiro de Lima quis ser maratonista, aí quando a mídia fala, cita um ex- boia fria, ele não é boia fria a muitos anos, como se fosse assim, em um passe de mágica ele deixar de ser boia fria e se tornar corredor Olímpico. É humanamente impossível, tem que reconhecer esse esforço pessoal e tem que dar nomes, e não procurar adjetivos para ilustrar. Temos excelentes atletas e poucos e péssimos dirigentes e uma mídia ignorante isso é fato. Se um atleta ao competir, mesmo que chegasse em último lugar, e o nome dele fosse veiculado, aí sim estaríamos apoiando, aí sim nós saberíamos que foi um brasileiro que participou da prova e que chegou em último lugar, aí sim teríamos o respeito de exigir que ele chegue em primeiro lugar.

Existe legado Olímpico?

Luis : Legado! Fala-se muito em legado; é uma palavra muito bonita.

 E legado pós Olimpíadas?

Luis: Não. Existem estruturas feitas. O que vai suceder a pós Olimpíadas são as pessoas, a ocupação dessas estruturas vai precisar ter pessoas sensíveis para entender os talentos que irão surgir. Os professores de educação física não têm essa habilidade para direcionar os atletas do Atletismo, eles não têm condição para essa tarefa. Os profissionais de educação física querem trabalhar em uma academia porque lá dá dinheiro.

 Você vivenciou o Atletismo durante 30 anos, qual a melhor história que você guarda em seu coração?

Luis : A melhor história é o meu inicio. Quando eu iniciei foi vendo as Olimpíadas de 72. Antes de vencer eu acreditei, e para se fazer qualquer coisa você tem que acreditar, você tem que se ver fazendo, se ver vencendo e tem que ter fé. Hoje já sou Máster e o que eu faço é conduzir o meu pensamento, e guardo as boas lembranças para continuar fazendo. Hoje já não importa mais a vitória, importa é fazer, essa é a melhor maneira. Comecem porque é possível fazer. Meu recado para quem quer começar é: tenha Fé!

 

 

 

 

 

 

Sobre Josué Júnior (143 artigos)
Josué Júnior, carioca, fotógrafo profissional pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Há mais de dez anos no mercado fotográfico com ênfase em moda e publicidade. Atualmente fotografa para o site Versão Masculina, especializado em comércio de produtos masculinos. Em sua empresa Arte foto Designer, desenvolve seu trabalho autoral, que pode ser apreciado na sua pagina : www.facebook.com/fotosjosuejunior?ref=bookmarks ,ou em seu Instagran .https://www.instagram.com/josuelbjr/

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