Entrevista com Ricardo Schnetzer, ator e dublador.

Foto: Josué Júnior / Blog Versão Masculina

Por Josué Júnior

Agradecimento: Ponto Filmes

Ricardo Schnetzer, ator e dublador, já está na profissão há 43 anos. Aqui no Brasil, empresta a voz a Tom Cruise, Al Pacino, Richard Gere, Nicolas Cage entre outros. Na novela “Êta mundo bom!” ele é o Hercules da rádio novela “Herança de ódio”. Com vocês Ricardo Shnetzer!

 

 

O seu encontro com a dublagem foi dentro da Faculdade?

Schnetzer: Meu encontro com a dublagem! Eu estava fazendo escola de teatro e ai eu vi um anúncio no mural da Antiga FEFIEG, hoje UNIRIO, isso foi em 1973. O estágio era para a Herbert Richers, de um mês. Fiz o teste e não passei, tentei durante dois anos, ia lá toda semana fazer teste, observar os colegas e efetivamente eu comecei a dublar em 1974/1975, aos poucos foram me escalando e estou aí até hoje.

 

Depois de dublar Tom Cruise aqui no Brasil por muito tempo, como foi o seu encontro com ele?

Schnetzer: Foi quando ele veio lançar o filme Encontro Explosivo, um filme que eu tinha dublado para o cinema e ele veio fazer o lançamento dele com Cameron Dias. E fomos eu e Mônica Rossi, que é a dubladora da Cameron Dias, ao encontro deles no lançamento do filme aqui no Vivo Rio. O encontro foi muito divertido porque ele chegou para mim e disse “Poxa, eu vim lançar meu filme e encontro a minha voz!” Aí falou algumas coisas da minha responsabilidade, em colocar a minha voz no corpo dele, vamos dizer assim. Conversamos muito rápido e logo ele entrou no cinema para começar a sessão.

 

De todos os atores que você dubla qual é o seu preferido? E por quê?

Schnetzer:  Eu gosto muito de dublar todos os atores, Richard Gere, Tom Cruise, Nicolas Cage. Agora o de minha preferência é o Al Pacino, que eu considero um grande ator da atualidade. Os trabalhos dele são maravilhosos, ele tem uma interpretação fantástica, uma construção de personagens e é difícil dublá-lo. Difícil em termos, porque a gente tem que vestir todo o personagem, tem que ter observação, entendimento e fazer exatamente o que o ator na tela está fazendo. Mas o Al Pacino, eu venho com ele desde o início; agora ele já está com mais idade, ficou um pouco rouco, então a gente tem que imprimir essa mudança vocal. Citação do filme Advogado do diabo: “Deus! Eu vou lhe dar  algumas informações exclusivas sobre Deus“, então ele tem essa força. Curto muito o trabalho dele.

Obs : Abaixo um trecho da entrevista e a citação  do filme Advogado do Diabo.

 

Você foi convidado pelo Selton Melo para fazer uma participação no último episódio da série “A mulher invisível”, em 2010, atuando. Como você lida com essa diversificação dentro da sua carreira?

Schnetzer: Eu me formei como ator. Então o ator pode dublar, pode fazer televisão, teatro. O processo de construção do personagem é o mesmo. Só que na dublagem você observa um trabalho já feito. Então você recria aquele trabalho, mas o processo de interpretação, a técnica pode ser diferente na televisão. Por exemplo, você está atuando com uma câmera, então você tem outro veículo; na dublagem você tem um microfone e só tem a voz para expressar todo o sentimento, toda a interpretação dentro da imagem de outro. No teatro você tem total liberdade dentro da construção de personagem, dentro da direção de estar com o público, olho a olho, ali. Então há uma comunhão com você, você reage de acordo com que o público. São formas diferentes, mas o princípio é o mesmo. Tem que ter subtexto, você tem que nutrir o texto para dublar, praticamente é o mesmo trabalho, só que com veículos diferentes.

14045969_10210822362420159_2161460223798614918_n

Foto : Divulgação /Leo Donorato / Renan Freitas /Ricardo Schnetzer/ Ponto Filmes

 

Foi muito bacana a ideia que o Walcyr Carrasco teve de montar a radionovela “Herança de ódio“, na novela “Êta mundo bom!”. Você está dentro desse projeto atuando. Como é  reviver esse momento da era do rádio?

Schnetzer: Foi muito legal, também pelo Walcyr ter criado essa rádio novela, porque ele pega em 1947, ano em que se passa a “Êta mundo bom!”. Ele vem resgatar esse início de novela. Olha como eu já estou falando! (Risos) Faço um rádio ator que é o Hercules, o nome do personagem da novela “Herança de ódio!”, uma obra do Edivaldo Viana, que era um autor que escrevia para rádio naquela época. Quem faz essa adaptação é o Otavio Martins, e o Walcyr faz uma supervisão; é interessante resgatar. Antes só existia o rádio, antes mesmo da televisão, e eu peguei de certa forma essa época mais adiante, em criança ainda, e a minha mãe ouvindo rádio, à Rádio Nacional. Várias rádios novelas que eram sucesso naquela época. Aliás, eu tive o prazer de visitar os estúdios dela e foi de muita emoção estar lá.

 

 

Você fez o Jaime Lennister, do “Games of Thrones” e teve uma troca de dublador para a 6ª. temporada. É comum a troca de dubladores em alguns personagens? Mas como fica o profissional ter que deixar o personagem? Fica algum sentimento?

 Schnetzer: Nós temos duas praças de trabalho, Rio e São Paulo, mais o cliente. Não sei por que resolveram levar a 6ª. Temporada para São Paulo para ser dublada lá. Eu não sei exatamente o que aconteceu com a empresa de dublagem aqui no Rio, eu não tive notícia disso, eu só fiquei sabendo depois.

E os fãs? Como ficam?

Schnetzer: Aí é que está! É um total desrespeito para com os fãs. O público está acostumado a ouvir, a ver aquele personagem ouvindo a voz do dublador original, e de repente, essa voz é trocada. Perde o encanto, perde a magia. Eu acho que é uma falta de respeito para com o público; não se pensa no público e isso é muito ruim. A gente gostaria de completar um trabalho que iniciou, mas é virar a página e a vida continua.

 

A cada década tem um personagem que marca. Quando você dublou Al Pacino em “O Poderoso chefão”, imaginava que se tornaria um clássico?

Schnetzer: Não! Eu acho que já era um clássico! Aquele foi um trabalho maravilhoso, ele já havia marcado. A gente dubla meses depois, um ano depois, então o trabalho já tinha estourado, assim como “Scarface”. Aquela história juntou com um bom trabalho e um tema de uma família mafiosa, e tem todo um sistema corrupto, então isso fica marcado.

 

Para se manter na profissão por muitos anos, como você vem fazendo, existe algum segredo? Conte um pouco sobre ele para quem está começando.

 

Schnetzer: No início de toda profissão você quer provar que é capaz, quer mostrar que é eficiente, talentoso. Então no início você começa devagarzinho. Eu comecei fazendo pequenos papéis, pequenas falas, depois o diretor começa a ver que você está evoluindo e vai te dando trabalhos mais difíceis, vai sentindo, vai vendo suas possibilidades de atuação. Você vai conquistando naturalmente, através do que é seu talento. Eu, pessoalmente, conquistei através de perseverança, do talento. É uma série de conteúdos que estão ligados. O relacionamento também com as pessoas é muito importante, ter a diplomacia, conviver sempre muito bem com uma energia positiva e talento, são fundamentais. Então a gente vai seguindo na profissão, e eu estou há 43 anos, sou ator há 43 anos também, dentro dessas características.

 

 

Sobre Josué Júnior (143 artigos)
Josué Júnior, carioca, fotógrafo profissional pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Há mais de dez anos no mercado fotográfico com ênfase em moda e publicidade. Atualmente fotografa para o site Versão Masculina, especializado em comércio de produtos masculinos. Em sua empresa Arte foto Designer, desenvolve seu trabalho autoral, que pode ser apreciado na sua pagina : www.facebook.com/fotosjosuejunior?ref=bookmarks ,ou em seu Instagran .https://www.instagram.com/josuelbjr/

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: