Entrevista com Roger Moreira

Foto: Ricardo Borges /FolhaPress

Roger Moreira do Ultraje a Rigor, dispensa  apresentações. Com muito humor e inteligência ele segue no Rock Brasil com o fôlego de um garoto, iniciando sua carreira. Sempre contundente em suas colocações, ele não tem medo de expressar suas opiniões. Obrigado Roger! Segue abaixo a entrevista.

 

Por Josué Júnior

 

Em 1980 você morava em São Francisco, na Califórnia. O que te fez voltar para o Brasil? Foram noticias de um novo cenário musical que se abria?

Roger Moreira: Não. Eu nem sabia o que estava acontecendo no Brasil. A bem da verdade, só fui perceber quando já tinha a banda há algum tempo. Voltei porque eu só conseguia sub-empregos lá, visto que era ilegal no país. Não me sentia satisfeito, apesar das excelentes condições de vida do País, mesmo para estrangeiros ilegais, como era meu caso.

A WEA tinha Titãs, Ira, e vocês. Existia alguma competição entre as bandas? Como era essa relação?

Roger Moreira: Apenas a competição pessoal de cada um, de se esforçar por fazer melhor. Havia muito mais admiração mútua.

 

Mesmo com o fim da censura, vocês tiveram a música “Filha da Puta “ extraoficialmente censurada. Te pergunto: como é ter uma música extraoficialmente censurada?

Roger Moreira: É a mesma coisa, na prática. Sua música não pode tocar no rádio e na TV. Só ao vivo.

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Foto: Divulgação

Em 2011 no festival SWU, teve uma pequena confusão com os produtores do Sir Peter Gabriel. Ele pediu desculpas e você seguiu a sua vida. Mas esse desrespeito por parte da produção dele foi pura arrogância?

Roger Moreira: Sem dúvida. Mas não da parte dele, pelo menos não diretamente. Quando eles viram que não estavam tratando com um caipira ignorante (e digo caipira no pior sentido, no sentido de admirar qualquer estrangeiro e deixar que façam o que quiserem) baixaram a bola.

 

Você é muito ativo nas redes sociais. Por conta disso, fica com medo de se expressar por causa da patrulha do politicamente correto?

Roger Moreira: Todo mundo acaba por se patrulhar um pouco. É a herança maldita do patrulhamento de esquerda, que tem um objetivo que foi alcançado e que combatemos por ver sua intenção. A intenção é que ninguém possa se manifestar sob o pretexto de que há um bem maior e assim, todos concordem com a mesma coisa. Ninguém pode ser “ofendido”, o que é uma idiotice. Mas não tenho medo, não. Pelo contrário, fui um dos primeiros a quebrar essa espiral do silêncio e começar a denunciar o plano da esquerda. Orgulho-me de ter colaborado um pouco para essa virada à razão que estamos vivendo agora. Dizer que é uma virada “à direita” é outro dos expedientes da esquerda, como se só a esquerda devesse existir e a direita fosse a sede do mal. Esse é um dos objetivos do patrulhamento politicamente correto. E é um expediente vil e covarde mas, infelizmente, eficiente, pelo que se viu.

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Foto : Leonardo Nones / The Noite

Roger, agora falando de Brasil, devido aos últimos acontecimentos aqui no Rio de Janeiro, onde dois ex-governadores estão presos. Um está em Bangu numa unidade onde o próprio inaugurou, e o outro em prisão domiciliar. Podemos dizer que o Brasil é outro, ou ainda temos muita coisa para acontecer?

Roger Moreira: Claro que ainda temos muito para melhorar. O governo do PT nos atrasou uns 50 anos. Mas muito do que precisa ser mudado deve partir de nós mesmos. Da compreensão de que o governo não é uma vaca, da qual todos querem mamar. Da mudança de nossa mentalidade sobre o que é ser um cidadão, do que é ser uma nação. Ninguém vai resolver isso sozinho, nós é que precisamos mudar.

 

Qual é o seu pensamento sobre o Juiz Sergio Moro? Ele é o nosso herói?

Roger Moreira:  Sem dúvida, é um de nossos heróis. Alguém com coragem de enfrentar o grande esquema implantado há séculos em nosso país pelos poderosos.

 

Fala um pouco do que vem de novo para 2017, o que podemos esperar do Roger e do Ultraje a Rigor?

Roger Moreira: O de sempre: bom humor, bom rock, bom caráter e boa implicância.

 

Sobre Josué Júnior (143 artigos)
Josué Júnior, carioca, fotógrafo profissional pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Há mais de dez anos no mercado fotográfico com ênfase em moda e publicidade. Atualmente fotografa para o site Versão Masculina, especializado em comércio de produtos masculinos. Em sua empresa Arte foto Designer, desenvolve seu trabalho autoral, que pode ser apreciado na sua pagina : www.facebook.com/fotosjosuejunior?ref=bookmarks ,ou em seu Instagran .https://www.instagram.com/josuelbjr/

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