Redes sociais: quando a tecnologia se transforma em doença contagiosa

Foto : Divlgação

 

Como se não bastassem os inúmeros problemas causados pelo mau uso da internet, um jogo recente está atormentando a vida de pais e adolescentes nas últimas semanas. Trata-se do “Desafio da Baleia Azul”, uma espécie de jogo macabro, surgido na Rússia, onde os adolescentes que participam devem cumprir cinquenta tarefas voltadas para praticar o mal, dentre elas automutilações, transmitidas através de redes sociais. A última e derradeira, consiste em tirar a própria vida. O nome deriva da espécie presente nos Oceanos Atlântico, Pacífico, Antártico e Índico que chega a procurar as praias, por vontade própria, para morrer.

Oito estados brasileiros já têm registros de casos de mutilações e suicídios por meio do tal desafio, que tem como alvo, adolescentes com comportamentos depressivos. Somente na Paraíba, vinte jovens foram identificados com envolvimento no jogo. As vítimas possuem um perfil mais suscetível a acreditar nos blefes dos administradores do jogo, que afirmam conhecer a família e o local onde residem, usando o artifício para fazer ameaças caso a pessoa abandone o jogo.

No pequeno município de Tanguá, onde trabalho, já houve um caso registrado dessa insanidade atual. Um adolescente foi encontrado no banheiro da escola onde estuda,  prestes a se entupir de remédios, sendo impedido por funcionários. Ele confessou que participava do tal desafio e teve medo de desistir porque algo poderia acontecer com as suas famílias.

As redes sociais reverberam as doenças que nós mesmos criamos, tornando-as tão contagiosas e letais quanto inúmeras pragas que já assolaram a humanidade. Para quem tem depressão e diversos tipos de transtornos de origem psicológica, como bulimia e anorexia, a internet é um prato cheio. Há tutoriais de todos os tipos de como se matar, como provocar vômito e muitas outras bizarrices que não consigo pensar aqui. Os padrões de beleza, antes divulgados nas revistas femininas e em programas específicos na televisão, são agora impostos à pessoas que não possuem sequer noção de quem são, se vendo obrigadas a segui-los a qualquer custo ou serem excluídas de convívios sociais.

 

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Foto: Divulgação

No Brasil, 1 em cada 10 adolescentes de 11 a 17 anos acessa conteúdo na internet sobre formas de se ferir – e 1 em cada 20, de se suicidar, segundo o Centro de Estudos Sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetic). O fato é que cada vez mais os pais transferem para o nosso sistema educacional falido a tarefa de educar seus filhos, que por viverem num mundo cada vez mais individualista e solitário, procuram a internet como forma de escapar da realidade em que se encontram. Daí, caem facilmente em todo tipo de golpe.

O mundo da comunicação instantânea e das informações quem invadem nossas vidas a cada segundo, faz com que mentiras e verdades se fundam. Ainda não aprendemos a lidar com a velocidade com que as coisas mudam e talvez nem seja para isso acontecer. Parece não haver mais espaço para o bom senso e nem para levarmos a vida de forma mais leve e despretensiosa. Estamos sendo engolidos por nós mesmos e pelas nossas invenções.

 

Sobre Victor Hugo (18 artigos)
Victor Hugo Ximenes Descrição: Jornalista formado pela Universidade Candido Mendes, atua na área de produção de conteúdo e assessoria de comunicação para políticos e instituições. Atualmente cursa pós graduação em marketing digital na FGV. Apaixonado por música, aviação e fotografia, adora registrar rostos, paisagens e esporadicamente trabalha em eventos. Apesar do apreço pela tecnologia também é um crítico de como ela influencia no comportamento humano e se torna um vício que afasta as pessoas umas das outras e de si mesmas.

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