Entrevista com Victor Carvalho

Victor Carvalho atua no mercado financeiro e nessa entrevista conversamos de forma informal sobre a saúde do bolso do brasileiro. Ele aproveita e dá dicas de como investir seu dinheiro. Venha conhecer Victor Carvalho

 

 

O Brasil passou alguns anos sofrendo muito, por causa de uma crise que ainda não passou. Como podemos falar de investimento no momento em que estamos vivendo?

Victor Carvalho: Para entendermos o atual momento em que vivemos, primeiro precisamos olhar para o passado. Em 2015 no auge da crise tínhamos uma taxa Selic de 14,25% ao ano e uma inflação de 10,67% ao ano. Significa que nesta época os investimentos mais conservadores atrelados aos juros e a inflação eram a bola da vez. Pouco se olhava para os ativos de bolsa, pois não havia necessidade de correr ricos com uma renda fixa tão atrativa, o prêmio de risco da bolsa não compensava. De lá para cá a situação mudou. Hoje estamos vivendo um cenário jamais visto pelos brasileiros, pois temos a menor taxa de juros da história do Brasil de 6,5% ao ano, uma inflação controlada de 3,89% nos últimos 12 meses, as empresas com uma grande capacidade ociosa, fazendo que a bolsa de valores se torne o investimento com maior potencial de valorização. Com a economia voltando a crescer as empresas tendem a aumentar produção sem necessariamente aumentar custo, não gerando inflação, fazendo com que a bolsa atualmente tenha maior potencial de valoração dentre os ativos. O prêmio de risco está valendo a pena.

 

Hoje, grandes investidores estão de olho na reforma da previdência, mas caso ela não passe de forma integral, você acha que afetará os investidores que estão prontos para começar a desembarcar no Brasil para ajudar na retomada do crescimento? Diga quais são os pontos cruciais da reforma que podem impedir que ela não passe de forma integral.

Victor de Carvalho: O futuro do Brasil depende da aprovação da reforma da previdência. Os investidores estrangeiros ainda estão receosos em aportar dinheiro no país, pois tiveram experiências ruins com alguns países emergentes como Argentina, Venezuela e Turquia. No caso do Brasil a aprovação da reforma seria um ponto positivo para os investidores estrangeiros. Em relação aos pontos crucias da reforma podemos citar a aposentadoria rural. O governo precisará ter um bom capital político para negociar esses pontos.

O Brasil vendeu 12 aeroportos e arrecadou R$2,37 bilhões de reais, e com isso viu a Bolsa de Valores de São Paulo sorrir de orelha a orelha. Essa negociação dividiu em 3 blocos regionais os aeroportos. Quando os passageiros poderão ver a redução das taxas das passagens aéreas?

Victor de Carvalho: A venda dos 12 aeroportos foi vista como positiva na visão do mercado, além de servir para testar o programa de concessões do governo. O governo conseguiu arrecadar 2,3 bilhões, diminuindo assim seus gastos. A expectativa é que o governo leiloe mais 22 aeroportos. Ainda não se tem uma previsão de quando começaremos a sentir melhoras nos serviços e diminuição no preço das passagens, mas a notícia é muito positiva. O serviço de telefonia teve um salto de qualidade após a privatização da Telebras e a entrada de investidores privados no mercado; a energia elétrica foi universalizada nos últimos anos, após várias privatizações; várias empresas privatizadas que antes eram deficitárias passaram a registrar lucros (casos da Vale e da CSN); e muitas ex-empresas públicas geram em impostos mais receita à União do que quando estavam sob controle do Estado brasileiro.

 

Bolsonaro viu a Ibovespa subir na segunda feira, dia 18/03/2019, a um patamar nunca visto antes. Foram 100 mil pontos, e não demorou muito a Ibovespa despencou com as notícias da reforma dos militares e com a prisão do ex-presidente Michel Temer. Você acha que essa gangorra deve continuar no governo Bolsonaro, ou teremos novos recordes à vista, mais estabilizadores?

Victor de Carvalho: Embora tenham acontecido alguns ruídos no curto prazo o cenário permanece positivo para bolsa, de qualquer forma o governo precisa mostrar grande poder de articulação no congresso. Sabemos que não será fácil e esses ruídos serão cada vez mais comuns. Alguns analistas estão prevendo bolsa a 125 mil pontos, porém, este caminho não será uma linha reta. É extremante importante que tenhamos foco no longo prazo.

 

O tema inflação sempre tirou o sono do brasileiro, e hoje pouco se fala dela. Mas ela está presente quando sobe o pão francês ou outros produtos básicos. Como o brasileiro pode identificar essa subida da inflação?

Victor de Carvalho: A inflação nada mais é do que o aumento generalizado dos preços. Antigamente a inflação era uma loucura, íamos no mercado comprar algum produto de manhã e a tarde esse mesmo produto estava absurdo de caro. Hoje temos uma inflação controlada. O IPCA (índice de preço do consumidor amplo) índice oficial de inflação é calculado mediante a pesquisa de preços de diversas categorias, são elas: alimentação e bebidas, artigos de residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário, porém, cada um de nós possui a própria inflação, podendo ser maior ou menor do que aquela medida pelos índices oficiais.”

 

Você poderia dar uma dica de investimento, ou seja, qual ou quais são os melhores e mais seguros investimentos em um Brasil que ainda oscila em sua economia?

Victor de Carvalho: O brasileiro sempre buscou por alternativas conservadoras quando o assunto é investimento. E isto acontecia justamente por termos uma taxa de juros muito alta. Atualmente com a taxa de juros baixa os brasileiros estão sendo mais proativos com seus investimentos, buscando maior diversificação e estratégias mais elaboradas. De qualquer forma uma alternativa conservadora para fugir da poupança e oscilações da economia, são as LCIs ou LCAs. Estes ativos assim como a poupança, são isentos de imposto de renda e possuem a garantia do FGC. O rendimento da poupança acontece apenas na data de aniversário do depósito, já as LCIs e LCAs os rendimentos são diários, além de possuírem rendimentos superiores aos da poupança. Embora esses títulos sejam conservadores é importante que o investidor procure um profissional especializado que possa ajudá-lo a montar uma carteira diversificada.

 

 

Sobre Josué Júnior (265 artigos)
Josué Júnior, carioca, fotógrafo profissional pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Há mais de dez anos no mercado fotográfico com ênfase em moda e publicidade. Atualmente fotografa para o site Versão Masculina, especializado em comércio de produtos masculinos. Em sua empresa Arte foto Designer, desenvolve seu trabalho autoral, que pode ser apreciado na sua pagina : www.facebook.com/fotosjosuejunior?ref=bookmarks ,ou em seu Instagran .https://www.instagram.com/josuelbjr/

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