Que ao amor se destina

 

Se situa em ti um vivo céu
Intensa arte que se insinua
Dessa amazona, verte crina de corcel
Labirinto que encarna a exuberância nua

Assina uma exclusiva verve sensual
Um preto sideral que assim ensina:
A maior vibração em turquesa celestial
É o bailar de fios que ao amor se destina

O matiz violáceo, pela manhã, se revela
Ao entardecer, é o azul imperial quem vigora
Quando o sol se despede, a cachoeira mais bela
Surge num ébano, da noite se tornando senhora

É cais em que atraca o aroma mais denso
Por onde meu fascínio se torna tangível
Dentre tantos, aquele que me deixa propenso
A achar o poema que me fora impossível

Minha sina também cultua tua cintura
Pés e mãos, poros e pernas, lábios e dorso
Mas aqui me atenho apenas à magia escura
Que são teus cabelos, esse azeviche luminoso

Manto europeu em ti inapelável,
A égide capilar
Mistério único a que me entrego
Esse véu íntegro,
Cujo sopro do leste é tornado negro,
Tem, no breu, o molde do rosto
Como faz, com gosto,
A mais viva noite
Ao mais rico luar

 

Sobre Léo Borges (5 artigos)
Editor do site : https://medium.com/ensaios-sobre-a-loucura contato : 21 994800408

1 comentário em Que ao amor se destina

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