Lewandowski sempre foi a primeira opção ao cargo de Ministro da Justiça no governo Lula 3 e essa notícia não era novidade. Os entraves começaram quando Lewandowski não quis exercer o direito a aposentadoria enquanto ministro do STF. Na época, Lula realizou uma reunião com Lewandowski, mas não obteve êxito e Flávio Dino ocupou esse espaço. A equipe de Dino é formada por integrantes do PSB, um partido da base do governo. Já o novo ministro, até onde se sabe, não pertence a nenhum partido e tem o hábito de dialogar com muitas pessoas ao seu redor. O perfil de Ricardo Lewandowski é de um profissional discreto. Essa postura vem de anos à frente do gabinete no STF. O ex-ministro teve alguns momentos de grande exposição como no impeachment de Dilma. Foi ele quem presidiu a sessão de cassação da ex-presidente. Um dia triste para muitos, mas que representaria um marco no currículo de Ricardo Lewandowski. O que se esperar do novo ministro da Justiça, um homem que tem uma carreira impecável e uma tenacidade aplaudida pelos seus? Até o momento, as informações baseadas em dados apurados levam a concluir que sua gestão não apresentará muitas alterações. Ricardo Capelli, o secretário mais expressivo da pasta, saiu de férias, mas deve manter-se no cargo. A “rádio corredor” já cota Capelli na corrida ao governo de Brasília. Caso seja confirmado, ele precisará de pelo menos um ano à frente da pasta para solidificar sua presença na mídia nacional e conseguir a visibilidade necessária para disputar, com chances de vitória, o governo da Capital Federal. Essa é uma informação que roda os corredores de Brasília. Lula, antes de fechar com Lewandowski, dialogou muito e a equipe de Dino sempre esteve no “top dez “da conversa. Isso ocorre porque o PT e o PSB formam a base do atual governo. O vice de Lula (PT) é Geraldo Alckmin (PSB), Dino (PSB), Capelli (PSB) e segue. Já deu para perceber o tamanho do problema, o PSB não deixará o ministério da Justiça para outro partido, com a ida de Flavio Dino para o STF e sua desfiliação do PSB. Seu cargo como ministro e sua cadeira de senador da República farão falta ao PSB e ao governo. Quem joga xadrez sabe que quando um jogador perde um peão é porque está preparando uma jogada maior. Só que nesse caso, Flavio Dino não é peão, muito menos moeda de troca para manutenção de governo, por esta razão a prudência pede cautela a Ricardo Lewandowski quando montar sua equipe e a estratégia no combate ao crime organizado em cada Estado. Até o momento, o Prefeito Eduardo Paes do Rio de Janeiro fez um pedido direto ao ministro Flavio Dino e a seu secretário Ricardo Capelli, no que diz respeito à construção do parque Olímpico do Engenho de Dentro. Segundo o prefeito, o Crime Organizado do Rio de Janeiro teria solicitado o valor de um milhão a empreiteira para autorizar a realização da obra, na região. Esse pedido feito ao Governo Federal já traz um sinal de que as eleições deste ano será quente. Isso porque desconhece a autoridade do governador Claudio Castro e mostra que a administração do Estado está abandonada. Essa eleição será atônica em outros Estados onde o crime organizado vem se espalhando no poder legislativo e até no poder público, infelizmente. O novo ministro terá que agir de forma silenciosa e rápida para retirar essa erva daninha que começa a corroer alguns Estados da União. Que Ricardo Lewandowski tenha a sabedoria que teve no STF e o vigor para realizar todas as tarefas árduas que seu atual cargo exige.

