Após uma fase de percalços no cinema, Lady Gaga dá indícios de uma recuperação musical com o lançamento de “Disease”, seu mais novo single e primeira prévia de um álbum solo previsto para fevereiro de 2025. O lançamento marca a volta da cantora ao estilo dark pop, revivendo a aura de “Mother Monster” que consolidou sua carreira na virada dos anos 2000. Gaga parece estar retornando a suas raízes sombrias no pop, um movimento estratégico que já ecoa bem entre fãs e crítica.
“Disease” e o Retorno ao Som dos Tempos de “Mother Monster”
Em “Disease”, Lady Gaga retoma o estilo que fez dela um ícone, com influências claras de seus primeiros álbuns, The Fame (2008) e Born This Way (2011). A faixa possui uma atmosfera sombria, com um arranjo eletrônico pesado e industrial, marcado por sons estridentes de guitarras e barulhos metálicos, algo que Gaga explorou muito bem no passado. Em termos de temática, a canção aborda um romance sombrio e atormentado, em que o amor é visto como uma cura, lembrando faixas como “The Cure”, lançada por ela em 2017.
Tentativas e Erros: Fase Difícil e o Fiasco de Coringa: Delírio a Dois
A retomada ao dark pop vem logo após um período difícil para Gaga. Sua performance em Coringa: Delírio a Dois foi elogiada, mas o filme em si foi recebido com frieza pela crítica e teve um desempenho morno nas bilheterias, sem sequer cobrir o orçamento de US$ 200 milhões. O álbum complementar ao filme, Harlequin, com regravações de jazz e duas músicas originais, teve pouca adesão do público. Essas experiências pareceram motivar a cantora a reavaliar sua direção artística e a buscar inspiração no passado.
A Influência de Michael Polansky e a Volta ao Dark Pop
Em entrevistas, Gaga revelou que seu marido, o empresário Michael Polansky, a incentivou a resgatar o estilo que marcou o início de sua carreira. Com Disease, Gaga aproveita a produção musical atual, que valoriza uma estética mais “suja” e experimental, tendência que também aparece em álbuns aclamados como The Rise and Fall of a Midwest Princess de Chappell Roan e Brat de Charli XCX. Este é o som que os fãs da cantora esperavam ver ressurgir.
A Versatilidade de Gaga: Incursões pelo Jazz, Country e até Arrocha
Além de seu estilo dark pop, Gaga construiu uma carreira marcada pela versatilidade. Este ano, além de “Disease” e de Harlequin, ela lançou o dueto “Die with a Smile” com Bruno Mars, inspirado nos clássicos dos anos 1970. Outros destaques da sua carreira incluem:
- Álbuns de jazz com Tony Bennett (2014 e 2021);
- “Joanne” (2016) e a trilha sonora de Nasce Uma Estrela (2018), explorando country e folk;
- “Chromatica” (2020), que uniu o pop dançante com elementos de ficção científica e temas de saúde mental;
- O remix de “Fun Tonight” com Pabllo Vittar, que introduziu o arrocha brasileiro em Dawn of Chromatica (2021).
No entanto, é no som obscuro de Disease que Gaga reencontra seu espaço e entrega aos fãs o estilo que ajudou a transformá-la em um fenômeno global. O novo single promete preparar o terreno para um álbum que, ao que tudo indica, será um retorno ao som provocador e sombrio que a consagrou como uma das artistas mais originais e imprevisíveis do pop atual.

