Ícone do site Linkezine

Eleições Municipais de 2024: O Fortalecimento e as Divisões do Bolsonarismo no Brasil

Anúncios

O campo bolsonarista emerge fortalecido nas eleições municipais de 2024, com o Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro, consolidando-se como um dos principais partidos da direita no Brasil. O PL conquistou prefeituras em 516 municípios, incluindo importantes capitais como Aracaju, Cuiabá, Maceió e Rio Branco, além de obter 4.957 cadeiras de vereadores, um crescimento de 43,1% em relação a 2020. A vitória, no entanto, veio acompanhada de evidentes divisões internas, refletindo uma fragmentação na base bolsonarista e na direita radical.

O Crescimento do PL e o Fortalecimento do Bolsonarismo Institucional

O PL saiu das urnas maior e mais capilarizado, consolidando-se em prefeituras de diversas regiões e ampliando sua presença legislativa. Segundo cientistas políticos, o partido tem se transformado no “centro do bolsonarismo institucional”, uma base estruturada que se conecta a redes locais e aproveita novas regras eleitorais e a fatia significativa do fundo eleitoral. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, emerge como figura influente, beneficiado pelo alinhamento mais recente do partido à direita desde a filiação de Bolsonaro em 2022.

Essa reestruturação torna o PL uma peça fundamental para a estratégia de retorno de Bolsonaro ao cenário político, embora o ex-presidente siga inelegível até 2030. O PL, junto a outros partidos, trabalha para que o Congresso considere uma anistia que possibilite o retorno do ex-presidente às urnas.

Divisões no Campo Bolsonarista e o Surgimento de Novas Lideranças

Embora o PL tenha crescido, as eleições também evidenciaram divisões internas e a ascensão de novos líderes de direita que competem pela mesma base eleitoral. Em São Paulo, o PL integrou a chapa vencedora de Ricardo Nunes (MDB), com um vice indicado pelo partido, enquanto o candidato Pablo Marçal (PRTB) apresentou-se como o verdadeiro representante do “bolsonarismo raiz”. Esse embate demonstra a fragmentação na base bolsonarista e a presença de discursos distintos, do bolsonarismo tradicional ao radicalismo antissistema de Marçal.

Em Curitiba, a disputa entre Eduardo Pimentel (PSD), apoiado por lideranças tradicionais, e Cristina Graeml (PMB), que usou intensamente a imagem de Bolsonaro, também ilustra essa segmentação. Monalisa Soares, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Política da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que o bolsonarismo agora é um movimento diverso que atrai perfis diferentes de eleitores e políticos.

A Emergência de Lideranças Regionais na Direita

Além do fortalecimento do PL, as eleições de 2024 trouxeram à tona novas lideranças regionais. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás, se posicionaram como potenciais líderes do campo de direita. Tarcísio foi determinante na reeleição de Nunes em São Paulo, enquanto Caiado mostrou força em Goiás ao apoiar Sandro Mabel (UB), que venceu o candidato do PL, Fred Rodrigues.

Ambos os governadores sugerem que a direita brasileira não precisa de uma única liderança centralizada. A campanha de Pablo Marçal em São Paulo e a vitória de Mabel em Goiás reforçam que o campo bolsonarista e a direita podem se reestruturar além de Bolsonaro.

O Desafiante Papel de Bolsonaro como Figura Central

Apesar do fortalecimento do PL, Jair Bolsonaro enfrenta dificuldades para manter sua posição de liderança absoluta no campo da direita. Os embates regionais, especialmente em São Paulo e Goiás, apontam para a perda de controle do ex-presidente sobre as direções do movimento. Guilherme Casarões, do Observatório da Extrema Direita, avalia que Bolsonaro sai das eleições com seu papel de liderança enfraquecido, mas ainda crucial no campo conservador.

Fatores Eleitorais que Influenciaram o Desempenho do PL

Além do apoio à candidatura de figuras jovens e promissoras, o PL beneficiou-se de mudanças nas regras eleitorais, como o financiamento público de campanhas e a imposição de limites de candidaturas, o que favorece partidos grandes como o PL. A influência de lideranças regionais e o acesso ao orçamento público via emendas parlamentares foram estratégias que fortaleceram o partido nas bases municipais, embora o PL ainda enfrente desafios no Norte e Nordeste, onde o PT se consolidou em capitais como Fortaleza e Recife.

Perspectivas para 2026: Uma Direita Fragmentada e Diversificada

O sucesso e as divisões internas nas eleições de 2024 indicam que o cenário político da direita em 2026 será marcado pela diversidade de agendas e líderes. Ronaldo Caiado, por exemplo, defende que a direita está preparada para lançar mais candidatos na próxima eleição presidencial, o que poderá resultar em uma disputa fragmentada entre diferentes figuras e agendas.

Com a direita se reorganizando e os partidos bolsonaristas ampliando suas bases, a disputa de 2026 promete uma dinâmica complexa, em que Bolsonaro e o PL terão de lidar com novas demandas, fragmentações e uma concorrência interna intensa para manter o campo conservador unido e competitivo.

Sair da versão mobile