O suspeito Rafael da Rocha Furtado, de 26 anos, se entregou na noite desta terça-feira (12) à Delegacia de Homicídios da capital do Rio de Janeiro, acusado de envenenar os meninos Ythallo Raphael Tobias Rosa, de 6 anos, e Benjamim Rodrigues Ribeiro, de 7. O crime aconteceu em setembro no bairro de Cavalcanti, zona norte do Rio, e abalou a comunidade pela brutalidade e inocência das vítimas envolvidas.
Entenda o Caso
Inicialmente, a hipótese investigada era de que as crianças haviam sido envenenadas por meio de um bombom entregue por uma mulher desconhecida perto da escola onde estudavam. No entanto, após investigações aprofundadas, a Polícia Civil descartou essa possibilidade, confirmando que não há indícios dessa mulher e apontando outra linha de apuração.
De acordo com a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), foi constatado que Rafael, ex-marido da mãe de Benjamim, teria buscado o menino na escola e oferecido a ele um açaí envenenado. No trajeto para casa, Benjamim compartilhou a bebida com seu amigo Ythallo, sem saber do perigo que ambos enfrentavam.
Exames e Causa da Morte
A perícia conduzida pelo Instituto Médico Legal (IML) revelou que as crianças ingeriram “chumbinho”, um veneno de uso proibido em produtos alimentícios e conhecido por sua alta toxicidade. Ythallo foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Del Castilho, mas não resistiu e faleceu no mesmo dia. Benjamim foi internado em estado grave no Hospital Municipal Miguel Couto, onde ficou por 13 dias, até a confirmação da morte cerebral.
Prisão e Indiciamento
Diante das evidências e do laudo pericial, a Justiça expediu um mandado de prisão temporária para Rafael da Rocha Furtado, que é formalmente indiciado por homicídio qualificado contra menores de 14 anos, com base na Lei Henry Borel. A lei é aplicada para agravar penas em casos de violência contra crianças e adolescentes, visando a proteção de vítimas em situações de vulnerabilidade.
Impacto e Repercussão
O caso gerou grande comoção pública, sobretudo pela natureza cruel do crime e a idade das vítimas. O trágico desfecho despertou alertas sobre a necessidade de proteção redobrada de crianças em contextos familiares complexos e, mais amplamente, sobre o uso indevido de substâncias perigosas como o “chumbinho”.
A Polícia Civil segue investigando os motivos e circunstâncias do crime, e Rafael aguarda os desdobramentos de seu processo.

