O general da reserva Mário Fernandes, preso nesta terça-feira (19) pela Polícia Federal (PF), é apontado como um dos principais articuladores das manifestações antidemocráticas em frente ao Quartel-General (QG) do Exército em Brasília. Segundo a PF, Fernandes desempenhava o papel de “ponto focal” entre o governo de Jair Bolsonaro e os manifestantes. Ele teria oferecido apoio material, financeiro e orientações estratégicas aos acampados, que se opunham à posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Envolvimento Direto com os Manifestantes
De acordo com o relatório enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Fernandes mantinha contato próximo com lideranças do acampamento, fornecendo:
- Apoio material e financeiro para a manutenção das manifestações.
- Orientações estratégicas sobre como proceder durante os protestos.
- Relações diretas com grupos como caminhoneiros e integrantes do setor agropecuário envolvidos nas manifestações.
Além de Brasília, Fernandes também tinha conexões com acampamentos golpistas em São Paulo. As investigações mostram que os acampados no QG de Brasília desempenharam papel central nos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.
Planejamento de Ações Antidemocráticas
A PF apurou que Fernandes orientou atos planejados para o dia 12 de dezembro de 2022, durante a diplomação de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os planos investigados estava o assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.
Áudios e mensagens analisados pela PF mostram que Fernandes trocava informações com Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e com lideranças do acampamento, como Rodrigo Yassuo Faria Ikezil.
Operação e Prisões
A operação da PF resultou na prisão de cinco pessoas, incluindo quatro militares do Exército — três da ativa e um da reserva. Entre os detidos estão:
- Mário Fernandes: General da reserva e ex-assessor de Bolsonaro.
- Hélio Ferreira de Lima
- Rafael Martins de Oliveira
- Rodrigo Bezerra de Azevedo
- Um policial federal, ainda não identificado.
Os detidos foram localizados no Rio de Janeiro, e a operação segue desdobramentos com novas apurações.
Histórico de Mário Fernandes
Fernandes atuou como assessor próximo de Jair Bolsonaro e foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República, chegando a assumir a pasta interinamente. Após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022, ele manteve proximidade com grupos radicais contrários à posse de Lula.
Até março de 2023, Fernandes ocupava o cargo de assessor no gabinete do deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ), sendo exonerado após seu nome aparecer nas investigações sobre a tentativa de golpe.
Fernandes também integra o grupo de elite do Exército conhecido como “kids pretos”, formado por militares treinados para atuar em missões de alta complexidade e sigilo.
Desdobramentos
As investigações da PF continuam e visam desmantelar as redes de apoio a atos antidemocráticos que buscaram reverter o resultado das eleições de 2022. A prisão de Fernandes e outros militares ressalta a preocupação das autoridades com o envolvimento de agentes públicos e de alta patente em ações que ameaçam a democracia brasileira.

