O governo de Israel se reúne nesta terça-feira (26) para votar um acordo de cessar-fogo no Líbano, em um esforço para implementar a Resolução 1701 da ONU, aprovada em 2006, que busca acabar com as hostilidades entre Israel e o grupo extremista Hezbollah. Apesar de o Hezbollah não participar diretamente das negociações, o governo libanês garantiu que os militantes respeitarão os termos estabelecidos.
Detalhes do acordo
A proposta foi discutida ao longo de outubro e prevê:
- Presença militar controlada: Apenas o exército libanês e os soldados de paz da ONU estarão autorizados a atuar na “Linha Azul”, a fronteira entre os dois países.
- Desarmamento de grupos não oficiais: O Líbano terá 60 dias para desarmar milícias como o Hezbollah no sul do país.
- Resposta israelense permitida: Israel manterá o direito de reagir caso surjam novas ameaças.
- Supervisão internacional: A implementação será monitorada por um comitê internacional liderado pelos Estados Unidos e formado por cinco países.
- Sanções: Em caso de descumprimento por Israel ou Líbano, sanções econômicas serão aplicadas.
Divisão no gabinete israelense
A proposta gerou controvérsia dentro do governo de Israel. Enquanto alguns ministros consideram a trégua uma oportunidade para estabilizar a região, outros defendem a continuidade das ações militares. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, é contra o cessar-fogo e defende uma vitória militar definitiva. Já o ministro da Agricultura, Avi Dichter, destaca a importância de uma trégua para evitar a escalada do conflito.
O histórico do conflito
Os confrontos entre Israel e o Hezbollah voltaram a ganhar força em 2023, após o início da ofensiva israelense na Faixa de Gaza. O Hezbollah intensificou ataques para demonstrar apoio ao Hamas, o que levou Israel a responder com bombardeios e operações terrestres no sul do Líbano.
Até o momento, o conflito no Líbano resultou em:
- Mais de 3 mil mortos, incluindo líderes do Hezbollah;
- Deslocamento de 800 mil pessoas, sendo que 425 mil buscaram refúgio na Síria;
- Crescente preocupação internacional de uma possível guerra regional no Oriente Médio, especialmente devido à participação indireta do Irã, aliado do Hezbollah, no conflito.
A importância da Resolução 1701
A Resolução 1701 da ONU foi implementada para criar uma “zona tampão” no sul do Líbano, livre de forças armadas além do exército libanês e das tropas de paz. Apesar disso, o governo libanês e a ONU afirmam que Israel já violou a resolução mais de 7 mil vezes desde sua aprovação.
A decisão sobre o acordo de cessar-fogo será crucial para determinar o próximo capítulo das tensões na região, em um momento em que a estabilidade do Oriente Médio é ainda mais ameaçada por conflitos paralelos.

