O tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, um dos militares conhecidos como “kids pretos”, declarou à Polícia Federal (PF) ter utilizado um telefone pertencente às Forças Especiais do Exército para ocultar sua identidade durante operações sensíveis. Contudo, ele negou qualquer participação na trama golpista que, segundo a PF, visava monitorar, prender ou até mesmo executar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
A confissão foi dada em depoimento prestado no dia 28 de novembro, cuja transcrição foi anexada aos inquéritos da Operação Contragolpe nesta sexta-feira (6). A operação investiga o planejamento de ações golpistas realizadas após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
Plano abortado e anonimização
De acordo com a PF, os “kids pretos”, militares de elite do Comando de Operações Especiais (Copesp), seriam responsáveis pela execução do plano, que foi abortado em 15 de dezembro de 2022. Azevedo admitiu ter cadastrado um chip de celular com dados obtidos de forma aleatória no Telegram, mas alegou que o uso do telefone era uma prática comum em operações sigilosas.
“O problema dessa situação é que esse celular foi usado numa ação para tentar prender, barra, executar o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou o delegado Fábio Schor durante o depoimento.
Azevedo explicou que pegou o celular de uma caixa com aparelhos antigos disponíveis no Comando de Operações Especiais, justificando que utilizaria o dispositivo para missões futuras. Ele também relatou que no dia 15 de dezembro, data marcada para a ação, estava em sua residência em Goiânia comemorando seu aniversário, uma afirmação que, segundo ele, pode ser corroborada por testemunhas.
Conexões e alegações da PF
A PF apontou que o telefone usado por Azevedo fazia parte de um conjunto de seis dispositivos ativados por militares envolvidos no plano, entre eles o major Rafael Martins Oliveira. Segundo as investigações, esses aparelhos foram registrados com identidades de terceiros, inclusive de pessoas que não tinham relação com os envolvidos, como um motorista de Goiás.
Embora Azevedo tenha negado conhecimento sobre os eventos golpistas, o delegado Schor destacou que o contexto é grave: “A técnica é legítima em operações de Estado, mas aqui foi usada de forma criminosa.”
Próximos passos na investigação
Rodrigo Azevedo e outros militares presos, incluindo o general Mario Fernandes, foram transferidos para Brasília nesta semana. As investigações continuam, com a PF buscando confirmar se o militar tinha ciência ou envolvimento mais profundo no plano golpista.
O caso reforça o impacto das ações ilegais relacionadas à tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022, evidenciando o uso de recursos do Exército em atividades que ultrapassam o limite da legalidade.
