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Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT): A Prisão de El Salvador Que Chocou o Mundo

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Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT): A Prisão de El Salvador Que Chocou o Mundo

Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT): A Prisão de El Salvador Que Chocou o Mundo

 

Inaugurado em 2023, o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT) foi projetado para deter os membros de gangues mais perigosos de El Salvador, um país que já teve a maior taxa de homicídios do mundo. As medidas de segurança da prisão são extremas: os detentos não podem receber visitas, as audiências são realizadas apenas por videoconferência, e o sinal de celular é bloqueado em um raio de uma milha e meia para impedir comunicação com o exterior. O governo alega que tais restrições visam conter o poder das gangues, que antes controlavam 85% do território do país. Hoje, El Salvador ostenta a menor taxa de homicídios do Hemisfério Ocidental.

A Política de Repressão de Nayib Bukele

A partir de 2022, o presidente Nayib Bukele implementou um estado de exceção que permitiu a prisão de suspeitos de afiliação a gangues sem necessidade de provas concretas. A medida resultou na detenção de mais de 80.000 pessoas, tornando El Salvador o país com a maior taxa de encarceramento do mundo (2%). No entanto, essa repressão fez com que Bukele alcançasse um índice de aprovação superior a 90%.

Os presos do CECOT estão submetidos a condições rigorosas: alguns cumprem sentenças que duram séculos, enquanto outros ainda aguardam julgamento. O diretor da prisão garante que nenhum detento jamais será libertado. Com capacidade para 40.000 internos, a prisão abriga atualmente cerca de 80 a 100 detentos por cela, onde dormem em placas de metal e têm apenas 30 minutos diários fora dos módulos. A atenção médica é realizada dentro das unidades, garantindo que nenhum prisioneiro saia vivo das instalações.

Deportados dos EUA e a Nova Proposta de Bukele

Na última semana, o Secretário de Estado Marco Rubio anunciou que Bukele aceitou receber deportados dos EUA, incluindo cidadãos americanos. Segundo Bukele, o CECOT está disponível para abrigar criminosos condenados em troca de uma taxa “relativamente baixa”, tornando o sistema prisional salvadorenho financeiramente sustentável.

Em uma publicação em redes sociais no dia 3 de fevereiro, Bukele declarou: “Oferecemos aos Estados Unidos a oportunidade de terceirizar parte de seu sistema prisional. Estamos dispostos a aceitar apenas criminosos condenados (incluindo cidadãos americanos condenados) em nossa mega-prisão.”

Relatos de Detentos e Críticas ao Sistema

Marvin Vazquez, membro da gangue MS-13, afirmou em entrevista que espera passar o resto da vida na prisão. “Nós assassinamos muitas pessoas, e essa é a consequência. É como o Titanic: éramos uma gangue grande e forte, mas fomos atingidos pelo iceberg. Tentamos agir com força durante o dia e choramos à noite.”

A população salvadorenha, em sua maioria, apoia a estratégia de Bukele contra as gangues. No entanto, grupos de direitos humanos temem que o CECOT e outras prisões do país estejam sendo usadas para deter não apenas criminosos perigosos, mas também opositores políticos e civis inocentes. Noah Bullock, diretor da ONG Cristosal, alerta para a possibilidade de que El Salvador esteja criando “uma colônia penal transnacional” sem garantias de direitos ou devido processo legal.

Jornalistas, ativistas e socorristas relataram perseguição estatal, com alguns sendo obrigados a se esconder. Uma mulher, cujo marido foi preso sem provas de envolvimento com gangues, afirmou temer o governo tanto quanto temia as próprias organizações criminosas.

O CECOT se tornou um símbolo da política de segurança de Bukele, e sua gestão continua a gerar debates sobre a linha tênue entre a segurança nacional e o respeito aos direitos humanos.

 

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