Anvisa endurece regras para Ozempic e similares após alta de efeitos adversos
A busca por emagrecimento rápido ganhou um novo obstáculo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas regras para a prescrição e venda de medicamentos como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro. A partir de agora, esses remédios — pertencentes à classe dos análogos de GLP-1 — só poderão ser adquiridos com receita médica em duas vias, uma delas retida na farmácia, semelhante ao que já ocorre com antibióticos.
A decisão foi tomada após a agência identificar um número elevado de eventos adversos causados pelo uso fora das indicações aprovadas. Ou seja, o uso por pessoas que não possuem obesidade, sobrepeso ou diabetes tipo 2, quadros para os quais esses medicamentos foram autorizados no Brasil.
Segundo dados da própria Anvisa, entre 2019 e setembro de 2024 foram 524 notificações de efeitos colaterais relacionados à semaglutida, substância presente no Ozempic e Wegovy. Desses casos, mais de 32% foram de uso off label, ou seja, fora do que é recomendado em bula, e quase todos classificados como graves. Entre os efeitos mais sérios está a pancreatite, uma inflamação no pâncreas que exige suspensão imediata do tratamento.
Os números nacionais assustam se comparados ao cenário global: a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou mais de 52 mil notificações sobre a substância, mas com taxas de uso indevido e efeitos graves bem menores do que as observadas no Brasil.
Além da exigência da receita em duas vias e validade de até 90 dias, as farmácias precisarão reportar a movimentação desses medicamentos ao SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados), reforçando a vigilância sanitária.
Para o diretor-presidente substituto da Anvisa, Rômison Rodrigues Mota, a popularização dos análogos de GLP-1 como alternativa estética, sem necessidade clínica, cria um risco à saúde pública:
“Estamos falando de medicamentos novos, cujo perfil de segurança a longo prazo ainda não é totalmente conhecido. O uso sem avaliação profissional aumenta os riscos de efeitos colaterais graves.”
A medida visa, portanto, proteger a população de modismos perigosos, onde a promessa de emagrecimento rápido tem se sobreposto à responsabilidade médica. O alerta está dado: medicamento não é atalho, e o controle começa pela prescrição correta.
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