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Elas florescem com o cacau: mulheres assumem protagonismo no cultivo na Bahia

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Elas florescem com o cacau: mulheres assumem protagonismo no cultivo na Bahia

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Do viveiro à fábrica de chocolate, agricultoras lideram revolução silenciosa na produção cacaueira e desafiam velhos padrões de poder

No sul da Bahia, o aroma do cacau carrega uma nova identidade: feminina, autônoma e profundamente conectada à terra. Em meio ao sistema tradicional de cultivo conhecido como cabruca — que aproveita a sombra das árvores nativas da Mata Atlântica para proteger os frutos —, mulheres vêm se destacando como líderes de um novo ciclo produtivo sustentável, justo e regenerador.

As antigas fazendas dos coronéis, marcadas por hierarquias rígidas e monopólios, abriram espaço para glebas familiares lideradas por matriarcas que se autodefinem como “filhas da cabruca”. Elas comandam todas as etapas do processo, da clonagem das mudas até a barra de chocolate pronta para o consumo. E mais que isso: estão transformando a realidade de suas comunidades.

Aos 40 anos, Carine Assunção é um exemplo desse novo protagonismo. À frente da Coopessba, ela apoia cerca de 300 agricultoras com técnicas para aumentar a produtividade em pequenos espaços, sem abrir mão da sustentabilidade. “O cacau é fruto sagrado”, afirma Carine, que também idealizou a Natucoa, fábrica de chocolates finos que coleta frutos de 19 comunidades e prepara produtos artesanais com sabores regionais como caju e coquinho licuri. Agora, ela mira na criação de uma marca própria que amplie a presença da Bahia no mercado nacional — onde já circulam mais de 60 rótulos baianos.

Mas a transformação começa antes mesmo da colheita. Kaleandra Sena, coordenadora técnica do Instituto Biofábrica da Bahia, é responsável pela produção de mudas resistentes às mudanças climáticas. Em viveiros com espécies de cacau, mandioca, abacaxi e até flores, ela lidera uma equipe majoritariamente feminina e ensina novas agricultoras a trabalharem com multiplicação de plantas. O objetivo? Empoderar, formar e garantir renda estável.

A história de Kaleandra cruza com a de Sidney Lima, de 57 anos, que começou como auxiliar de serviços gerais e hoje é supervisora de produção na biofábrica. Com sua voz firme e bem-humorada, ela coordena sete mulheres, compartilha aprendizados e cultiva a ideia de que o conhecimento deve ser passado adiante. “Quero deixar meu legado para que a cultura do cacau nunca morra”, diz.

Essas histórias revelam mais do que a força de trabalho: mostram a capacidade de reinvenção, de criação de valor local e de recuperação de práticas sustentáveis que mantêm viva a Mata Atlântica e a identidade cultural da região. No sul da Bahia, quem cuida do cacau hoje também planta futuro.

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