“Casa de Terra”: Inhotim reabre galeria com mostra inédita de artistas indígenas sul-americanos
A força da arte indígena ganha novo fôlego em Brumadinho (MG). Com a exposição Maxita Yano — Casa de Terra, o Museu de Inhotim celebra a reabertura da Galeria dedicada à fotógrafa Cláudia Andujar, marcando também o décimo aniversário do espaço. A mostra lança luz sobre a produção de mais de 20 artistas indígenas da América do Sul, promovendo um encontro potente entre arte, memória, ancestralidade e resistência.
“Maxita Yano”, que na língua Yanomami significa “casa de terra”, transcende o conceito tradicional de exposição. Mais do que uma galeria, é território simbólico: um espaço construído a muitas mãos, onde vozes indígenas ganham protagonismo por meio de desenhos, filmes, fotografias e instalações audiovisuais. A mostra estabelece conexões entre a trajetória de Cláudia Andujar — suíça de nascimento e brasileira de coração — e os novos artistas que continuam a luta por visibilidade, território e justiça.
Um território de narrativas e resistência
Cláudia Andujar, nascida em 1931, é reconhecida mundialmente por sua atuação incansável em defesa dos Yanomami, um dos maiores povos indígenas da Amazônia brasileira. Seu trabalho fotográfico, sensível e comprometido, é parte essencial da exposição, que articula núcleos temáticos sobre ativismo, imagem e alianças entre povos originários e não-indígenas.
Um dos destaques da mostra é a Sala Hutukara, com curadoria assinada pela própria Associação Hutukara Yanomami, instituição que representa politicamente o povo Yanomami. Nessa sala, o visitante encontra uma coleção de desenhos contemporâneos Yanomami e uma série de vídeos e filmes produzidos por artistas indígenas voltados ao cinema — uma prova de que a arte indígena também está moldando novas linguagens narrativas.
A exposição reúne trabalhos de artistas do Brasil, Bolívia, Peru e Paraguai, reforçando o caráter pan-amazônico da mostra e ampliando a diversidade de olhares e expressões.
Inhotim em movimento
Além de Maxita Yano, o Inhotim já prepara novas atrações para o público ao longo de 2025 e 2026. Entre os destaques anunciados estão exposições da brasileira Laís Lima e do equatoriano Edgar Calel, previstas para outubro. E para 2026, ano em que o museu completa 20 anos, a instituição promete uma programação comemorativa grandiosa, com novos projetos expositivos e uma edição especial do seu Festival de Música.
Instalado em uma área de mais de 800 hectares que combina arte, arquitetura e natureza, o Inhotim é o maior museu a céu aberto do mundo. Localizado em Brumadinho, a apenas 60 km de Belo Horizonte, o espaço pode ser visitado de quarta a sexta, das 9h30 às 16h30, e aos fins de semana e feriados, até 17h30. A entrada custa R$ 60 (inteira), com meia para estudantes, professores e outros públicos previstos por lei.

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