MSF encerra missão na Terra Yanomami e deixa legado de cuidado intercultural 🏹🔥
Três anos de atuação reforçam saúde, infraestrutura e integração entre saberes
No coração da Amazônia, onde a floresta dita os ritmos e a cultura molda a vida cotidiana, a presença de Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Terra Indígena Yanomami (TIY) se despede após quase três anos de atuação. A saída da organização marca o fim de um ciclo que combinou assistência médica, fortalecimento comunitário e, sobretudo, respeito profundo às práticas tradicionais dos povos Sanöma e Ye’kwana.
No polo-base de Auaris — região mais densamente povoada da TIY — a transformação é visível. Redes substituem camas convencionais, placas bilíngues orientam visitantes e profissionais, e a estrutura reformada reflete o cuidado com o ambiente cultural. Ali, pajés e médicos caminham lado a lado, partilhando diagnósticos, escutas e decisões. “Agora os cuidados são integrados. Pajé e doutor juntos”, resume Miro Sanöma, evidenciando a convivência entre saberes que guiou o trabalho da equipe.
Quando MSF chegou à região, em maio de 2023, o cenário era um retrato da emergência sanitária declarada pelo governo: níveis críticos de desnutrição, surtos de malária e infraestrutura precária. Em pouco tempo, a organização estruturou ações de saúde geral, combate à malária, atendimento de saúde mental e intervenções ambientais que melhoraram as condições de saneamento e acesso aos serviços.
Os resultados já se mostram concretos. No primeiro semestre de 2025, os casos de malária registraram queda de 20,7% em comparação com 2024, além de redução expressiva de quadros graves e óbitos. Para o médico Carlos Camacho, que atua no território desde o início de 2024, a prevenção foi decisiva: “Hoje quase não atendo pacientes graves. A promoção de saúde fez a diferença.”
A dimensão emocional também recebeu atenção especial. Entre atendimentos individuais, rodas de conversa, atividades psicossociais e ações de sensibilização, mais de 5,5 mil pessoas foram alcançadas pelos programas de saúde mental. A iniciativa ajudou a enfrentar dores silenciosas, muitas delas provocadas pela ruptura com tradições e pelo impacto da crise sanitária.
Após fortalecer polos de saúde, capacitar profissionais, ampliar estruturas e apoiar a CASAI–Yanomami e Ye’kwana em Boa Vista, MSF entregou uma transição planejada às equipes locais. A ideia, como resume Damaris Giuliana, coordenadora do projeto, é garantir continuidade: “Chegamos com nossos conhecimentos e aprendemos com os xamãs. Esse intercâmbio precisa seguir vivo.”
A despedida, portanto, carrega a marca de um legado compartilhado — uma ponte entre mundos que seguem, agora, mais preparados para cuidar de seus próprios caminhos.
Três anos de presença, muitas vidas impactadas: MSF encerra sua missão na Terra Yanomami deixando avanços médicos, culturais e estruturais que seguem para além da partida. #SaudeIndigena #AmazoniaViva #DireitosIndigenas #Interculturalidade
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