O silêncio que tomou conta de bairros inteiros da Grande São Paulo após o apagão virou símbolo de um desgaste que vinha se acumulando há anos. Nesta terça-feira (16), ele foi quebrado por um anúncio de peso: o governo federal vai iniciar o processo de caducidade do contrato da Enel em São Paulo. Em termos práticos, significa a ruptura da concessão da empresa responsável pela distribuição de energia elétrica no estado.
A decisão foi comunicada após uma reunião de cerca de três horas no Palácio dos Bandeirantes, que reuniu o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador paulista, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes. O encontro marcou um raro alinhamento entre diferentes esferas de poder diante de um problema que ultrapassou limites técnicos e passou a afetar diretamente a vida cotidiana de milhões de pessoas.
Segundo Silveira, a medida reflete a avaliação de que a concessionária não vem cumprindo adequadamente suas obrigações contratuais. O argumento central é a falta de estrutura da Enel para responder a situações críticas, como a registrada após a passagem de um ciclone que atingiu a região metropolitana. O fenômeno derrubou milhares de árvores, danificou a rede elétrica e provocou um apagão de grandes proporções.
O governador Tarcísio de Freitas foi direto ao afirmar que não há mais espaço para alternativas intermediárias. Para ele, há consenso entre os governos federal, estadual e municipal de que o processo de caducidade é o único caminho possível. “Estamos na mesma página”, afirmou, ao reforçar que a decisão foi amadurecida coletivamente.
Os números ajudam a dimensionar a gravidade do episódio. Mais de 2,2 milhões de imóveis ficaram sem energia no auge da crise. Mesmo dias depois, o problema persistia: de acordo com balanço divulgado às 18h30 da segunda-feira (15), mais de 81 mil clientes ainda estavam sem luz no estado, sendo cerca de 55 mil apenas na capital. O apagão já se estendia por quase seis dias, ampliando a pressão política e social.
Os pedidos públicos feitos por Tarcísio e Nunes ao governo federal aceleraram o desfecho. Agora, com o processo de caducidade anunciado, abre-se um novo capítulo na relação entre poder público e concessionárias de serviços essenciais. Resta saber como será feita a transição e quais impactos imediatos a decisão trará para os consumidores paulistas.
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