Os corredores de Brasília já tratam como questão de tempo a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça. O ministro deve deixar o cargo ainda nesta semana, encerrando um ciclo marcado por expectativas elevadas, negociações difíceis e um desgaste crescente na relação com o Congresso Nacional. Interlocutores confirmam que a decisão já foi comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que a exoneração deve ocorrer após a cerimônia do 8 de Janeiro, no Palácio do Planalto.
A vontade de deixar o governo, na verdade, não é recente. Desde o ano passado, Lewandowski sinalizava a aliados o desejo de encerrar sua passagem pela Esplanada. À época, Lula pediu que ele permanecesse, apostando na experiência institucional do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal para conduzir pautas sensíveis da área de Justiça e Segurança Pública. Com o passar dos meses, porém, o cenário político se mostrou mais árido do que o previsto.
Um dos pontos centrais do desgaste foi a dificuldade de interlocução com o Legislativo. A chamada PEC da Segurança, considerada estratégica para o governo, acabou adiada para 2026 e sofreu esvaziamentos ao longo do caminho. Para Lewandowski, a postergação da proposta retirou o principal motivo para sua permanência à frente da pasta, já que a iniciativa simbolizava seu legado político no ministério.
A expectativa é que a saída ocorra entre quinta e sexta-feira. Com o ministro, alguns secretários também devem deixar seus cargos, especialmente aqueles convidados diretamente por ele para compor a equipe. Nos bastidores, a tendência é que Manoel Carlos, atual número dois da Justiça, assuma o comando de forma interina, garantindo continuidade administrativa em um momento delicado.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de cautela. Lula não pretende promover novas mudanças ministeriais de grande porte antes das eleições, já que cerca de 20 ministros devem deixar seus cargos até abril para disputar mandatos. Ainda assim, a saída de Lewandowski reacende debates internos no PT sobre a possibilidade de desmembrar o Ministério da Justiça e criar um Ministério da Segurança Pública — promessa de campanha que voltou à mesa.
A segurança pública, apontada como um dos principais desafios do governo junto ao eleitorado, ganha peso especial em ano eleitoral. A eventual reformulação da pasta pode se tornar uma tentativa de reposicionamento político, sinalizando resposta a uma demanda social sensível. Entre cálculos eleitorais e rearranjos institucionais, a despedida de Lewandowski marca mais um capítulo de transição no governo Lula.
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