O ano de 2025 entrou para a história da Faria Lima como o período da “destrava”. A aposta no recuo dos juros levou o Ibovespa a avançar cerca de 30% e tocar a marca simbólica dos 164 mil pontos. Mas o otimismo perdeu fôlego nas últimas semanas, quando o noticiário político antecipou o clima das eleições de 2026. O anúncio de candidaturas, a força de nomes tradicionais nas pesquisas e o aumento da polarização devolveram volatilidade ao pregão — e reabriram discussões sobre risco e proteção.
Enquanto ações reagiram mal, com quedas pontuais após movimentos de Lula e da família Bolsonaro no cenário eleitoral, o investidor de criptoativos observou o momento por outra lente. Para Denise Cinelli, COO global da CryptoMarket, que evoluiu de exchange para plataforma financeira com a NotBank, a volatilidade política não é apenas ameaça. “No mercado cripto, a volatilidade funciona como combustível para arbitragem e proteção patrimonial”, afirma.
A lógica é conhecida no mercado tradicional: diante da incerteza fiscal e política, investidores vendem ativos considerados esticados. No universo cripto, porém, o comportamento tem sido de descorrelação parcial. “O investidor brasileiro amadureceu. Entendeu que, enquanto o Ibovespa sofre com risco-país, Bitcoin e stablecoins atuam como um seguro contra o real”, explica Cinelli.
Esse movimento gera uma inversão de fluxo. Em momentos de ruído político, parte do capital migra para o ecossistema cripto em busca de dolarização, liquidez global e custódia fora do sistema tradicional. O fenômeno já foi observado em outros ciclos eleitorais e ganhou força com a consolidação da infraestrutura digital no país.
O exemplo mais recente veio dos Estados Unidos. Durante o ciclo eleitoral de 2024, o Bitcoin manteve trajetória estrutural de valorização, impulsionado pela aprovação de ETFs spot e por sinais de maior previsibilidade regulatória. Segundo Cinelli, o mercado reagiu menos ao resultado da eleição e mais à leitura de um ambiente favorável à inovação financeira, com aumento de liquidez e entrada institucional após a definição do pleito.
No Brasil, dados do Monitor do Mercado indicam que o Ibovespa costuma cair, em média, 9,6% nos seis meses antes das eleições e subir 17% após a posse. Para os criptoativos, a dinâmica é diferente. “Bitcoin não depende do ocupante do Planalto. Mas a liquidez local, sim. Quando o mercado de capitais trava, cresce o volume em stablecoins como USDT e USDC”, pontua a executiva.
A proximidade de 2026, portanto, não redefine o valor dos criptoativos, mas influencia o ritmo de adoção. Em meio a ajustes de preços e realização de lucros, a política surge como gatilho — não como fundamento. A recomendação segue clássica: escolher a tese, não o ruído. “Se você acredita na resiliência da blockchain, a oscilação eleitoral é curto prazo”, conclui Cinelli.
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