O domingo de despedida do trio Pipoca Doce, no circuito Osmar, em Salvador, era para ser apenas celebração. Mas um gesto registrado em vídeo transformou o encerramento da festa em debate nacional. Carla Perez foi alvo de críticas nas redes sociais após aparecer nos ombros de um segurança negro durante o percurso. A cena rapidamente viralizou e gerou acusações de insensibilidade racial.
O momento aconteceu enquanto a artista conduzia pela última vez o projeto gratuito voltado ao público infantil — iniciativa que evoluiu do antigo bloco Algodão Doce e se consolidou como proposta pioneira ao pensar o Carnaval para crianças. Em meio à multidão, Carla subiu nos ombros do profissional de segurança para se aproximar do público.
No X (antigo Twitter), internautas reagiram com indignação. Um dos comentários que ganhou repercussão dizia: “Brasil, século XXI? 2026, Sinhá e seu serviçal em pleno carnaval de Salvador.” A crítica apontava para a simbologia histórica da imagem em um país marcado por desigualdades raciais profundas.
Na segunda-feira (16), a dançarina publicou um pronunciamento nas redes sociais. Segundo ela, a intenção foi conseguir contato físico com as crianças durante o trajeto, devido à sua estatura. “Eu subi nos ombros do segurança para conseguir estar mais próxima das minhas crianças”, escreveu.
Apesar da justificativa, Carla reconheceu o peso simbólico do registro. “A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade”, afirmou. Ela destacou que o episódio remete a desigualdades históricas que não podem ser naturalizadas.
A artista pediu desculpas de forma direta. “Peço desculpas, de forma direta e sincera. Reconhecer o erro é o meu primeiro passo. O segundo é agir”, declarou. Carla também ressaltou a importância do Carnaval de Salvador como manifestação cultural construída majoritariamente por pessoas negras e reafirmou seu compromisso no combate ao racismo estrutural.
O caso reacende discussões sobre representação, simbologia e responsabilidade pública em grandes eventos. Em um Carnaval que celebra diversidade e resistência, imagens também falam — e, às vezes, ecoam além da música.
Entre emoção e reflexão, o episódio deixa uma lição sobre sensibilidade histórica em espaços de grande visibilidade. A despedida do trio marcou o fim de um ciclo; o debate, porém, continua.
Entre a folia e o debate: gesto no trio vira reflexão nacional. #CarnavalSalvador
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