O dia ainda não havia clareado completamente quando moradores do Centro de Nova Iguaçu se depararam com uma cena que interrompeu a rotina antes mesmo do primeiro café. Quatro corpos estavam estendidos no meio da rua, com marcas de tiros, expondo mais um capítulo brutal da violência na Baixada Fluminense.
Segundo informações preliminares da polícia, os homens mortos seriam os responsáveis pelo assassinato de Valentina Santos, de 8 anos, baleada na cabeça durante uma tentativa de assalto no bairro Engenho Pequeno, no último dia 11. A criança chegou a ser socorrida e internada, mas não resistiu aos ferimentos, gerando comoção e revolta na cidade.
Os quatro — identificados como Wilson Adriano, de 20 anos; João Vitor Araújo, de 19; Lucas Plínio, de 25; e Wesley de Souza, de 23 — estariam escondidos no Complexo do Chapadão após o crime. De acordo com relatos que circulam entre investigadores, integrantes de uma facção criminosa teriam submetido o grupo ao chamado “tribunal do crime”, decidindo pela execução dos envolvidos. Posteriormente, os corpos foram deixados na região central do município.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense conduz as investigações para esclarecer a dinâmica da ação, identificar os responsáveis pelas execuções e confirmar todos os detalhes que cercam o caso. A polícia também apura como ocorreu o deslocamento dos corpos até o Centro da cidade.
O episódio aprofunda um sentimento coletivo de indignação. Para a família de Valentina e parte da população, não há espaço para qualquer tipo de satisfação — apenas a dor irreparável da perda. Ao mesmo tempo, a constatação de que a punição partiu de criminosos, e não do sistema oficial de Justiça, amplia a percepção de fragilidade do Estado.
Pelo ordenamento jurídico brasileiro, cabe às autoridades investigar, prender e julgar, assegurando o devido processo legal. Quando a execução substitui o julgamento, o ciclo da violência se perpetua.
Entre luto, revolta e insegurança, Nova Iguaçu enfrenta mais uma tragédia que expõe a urgência de políticas públicas eficazes e da reafirmação da autoridade institucional. A morte de uma criança já é uma ferida profunda. A sequência de execuções transforma o caso em um retrato duro da realidade que ainda desafia o poder público.
Quando o crime decide punir o crime, o Estado é questionado. #Justica
#NovaIguaçu
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0
