No calendário democrático brasileiro, 24 de fevereiro marca uma conquista histórica: há 94 anos, as mulheres garantiam o direito ao voto. Quase um século depois, porém, a presença feminina nos espaços de decisão ainda não acompanha o tamanho dessa vitória. Embora representem mais da metade da população, elas ocupam apenas 18,4% das cadeiras na Câmara dos Deputados, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
O contraste se torna mais evidente quando o Brasil é comparado a vizinhos latino-americanos. Dados da ONU Mulheres mostram que Argentina e México alcançam 39% e 49% de representação feminina em seus parlamentos nacionais, respectivamente. Aqui, o avanço tem sido mais lento — e revela entraves que ultrapassam a legislação.
Desde 1995, a lei estabelece cotas mínimas de candidaturas femininas nas eleições proporcionais. Na prática, entretanto, muitas dessas candidaturas não recebem financiamento adequado nem estrutura partidária consistente. Estudos do TSE indicam que mulheres candidatas, em média, contam com menos recursos de campanha e menor tempo de exposição na propaganda eleitoral. O resultado é uma disputa desigual antes mesmo do primeiro voto.
“O desafio é estrutural e cultural. Existem barreiras que dificultam tanto a entrada quanto a permanência das mulheres na política”, explica a professora Fernanda Vaucher, advogada e docente do curso de Direito da UNIASSELVI. Segundo ela, não basta cumprir a exigência formal de candidaturas; é necessário garantir condições reais de competitividade.
A desigualdade também se manifesta fora do ambiente institucional. A sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidado — historicamente atribuídas às mulheres — reduz o tempo disponível para articulação política. Soma-se a isso a violência política de gênero, que inclui ataques virtuais, desinformação e intimidação, fatores que afastam lideranças femininas do debate público.
Especialistas destacam que ampliar a representatividade feminina impacta diretamente a formulação de políticas públicas. Relatórios da ONU Mulheres apontam que parlamentares tendem a priorizar pautas ligadas à educação, saúde, combate à violência e equidade social, ampliando o alcance das políticas inclusivas.
Ao completar 94 anos, o voto feminino simboliza uma conquista irreversível. No entanto, a plena participação das mulheres no poder segue em construção. Avançar nessa agenda significa fortalecer a democracia brasileira, tornando-a mais plural, legítima e conectada à diversidade da sociedade que representa.
94 anos depois do voto, elas ainda lutam por espaço no poder. 🗳️✨ #MulheresNaPolítica
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