Durante muito tempo, episódios de constrangimento no ambiente de trabalho eram tratados como parte silenciosa da rotina profissional. Comentários inadequados, pressões constantes ou situações de humilhação frequentemente permaneciam invisíveis, diluídos na hierarquia das empresas. Nos últimos anos, porém, essa realidade começou a mudar — e os números da Justiça do Trabalho refletem essa transformação.
Dados divulgados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) indicam um aumento significativo de processos relacionados ao tema em 2025. Foram 142.828 novas ações por assédio moral, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior. Já os casos de assédio sexual somaram 12.813 processos, registrando uma alta ainda mais expressiva, de 40% na comparação com 2024.
Para especialistas, o avanço não significa necessariamente que os episódios estejam ocorrendo mais, mas que mais pessoas passaram a reconhecer e denunciar esse tipo de violência no ambiente profissional. Campanhas de conscientização, debates públicos e maior visibilidade de casos envolvendo figuras públicas contribuíram para ampliar a discussão sobre limites e responsabilidades nas relações de trabalho.
Entre os episódios recentes que repercutiram nacionalmente estão investigações envolvendo autoridades do sistema de Justiça. O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, foi afastado após acusações de assédio sexual, enquanto o desembargador Magid Nauef Lauar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, também foi afastado após investigações relacionadas a crime sexual. Casos desse tipo ampliam o debate público e reforçam a importância de discutir o tema em diferentes esferas da sociedade.
Segundo o ministro Agra Belmonte, do TST, a mudança cultural tem sido fundamental para que trabalhadores consigam identificar situações de violência que antes passavam despercebidas. “Muitas pessoas não conseguiam nomear ou reconhecer o assédio. A conscientização permite que empregadores e empregados compreendam melhor o que caracteriza esse tipo de conduta”, explica o magistrado, que coordena o Programa Trabalho Seguro da Justiça do Trabalho.
A atuação da Justiça ocorre, segundo ele, em três frentes principais: reconhecer a violência, reparar os danos causados e gerar um efeito pedagógico nas relações de trabalho, deixando claro que práticas abusivas não são toleradas.
Para especialistas em direito trabalhista, o aumento das ações também reforça a necessidade de políticas preventivas mais estruturadas nas empresas. A advogada Priscila Soeiro Moreira avalia que as organizações precisam ir além da resposta a denúncias e investir em uma cultura corporativa baseada no respeito.
Isso inclui canais seguros de denúncia, programas de treinamento e regras claras de conduta profissional. “A responsabilidade do empregador não se limita a reagir quando o problema aparece. É preciso criar ambientes de trabalho onde a dignidade e o respeito sejam princípios permanentes”, afirma.
O crescimento das ações judiciais indica que o tema deixou de ser tratado apenas como conflito individual. Hoje, ele faz parte de um debate mais amplo sobre ética, direitos e qualidade das relações no ambiente de trabalho.
Mais denúncias, mais debate e mais responsabilidade corporativa: o combate ao assédio no trabalho ganha força. #DireitoDoTrabalho #AmbienteDeTrabalho ⚖️
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