Algumas histórias não terminam quando alguém parte. Elas permanecem nas casas vazias, nos objetos esquecidos e, sobretudo, nas memórias que insistem em voltar. É nesse território delicado entre lembrança e silêncio que se desenrola “Herança de Narcisa”, longa-metragem brasileiro protagonizado por Paolla Oliveira, que agora ganha projeção internacional com exibição confirmada no Cinequest Film & Creativity Festival, em San Jose, na Califórnia.
Dirigido por Clarissa Appelt e Daniel Dias, o filme constrói um drama psicológico marcado por mistério e tensão emocional. A narrativa acompanha Ana, personagem interpretada por Paolla, que retorna à casa de infância no Rio de Janeiro após a morte da mãe, a ex-vedete Narcisa. O reencontro com o passado, no entanto, revela mais do que lembranças: a casa guarda segredos, ressentimentos e traumas familiares que nunca foram totalmente enfrentados.
Ao lado do irmão Diego, vivido por Pedro Henrique Müller, Ana começa a revisitar o espaço onde cresceu. Cada objeto encontrado, cada canto da casa, parece abrir uma porta para memórias que resistem ao esquecimento. Aos poucos, a protagonista se vê obrigada a confrontar a relação difícil que teve com a mãe — um vínculo marcado por amor, conflito e ressentimentos silenciosos.
Segundo os diretores, a proposta do filme vai além de um drama familiar tradicional. A obra aborda aquilo que chamam de “herança emocional”: sentimentos, padrões e conflitos transmitidos entre gerações, muitas vezes sem que se perceba.
A ideia central do roteiro gira em torno de uma pergunta incômoda e universal: o que herdamos emocionalmente de nossos pais? Para os cineastas, esse legado invisível pode se manifestar em comportamentos, medos e expectativas que atravessam o tempo.
Clarissa Appelt explica que o filme dialoga com elementos simbólicos presentes na cultura brasileira, especialmente na ideia de libertação espiritual. Na história, a solução para romper ciclos familiares não está em enfrentar forças sobrenaturais, mas em encarar aquilo que ficou não resolvido entre mãe e filha — um processo quase ritual de reconhecimento e libertação.
Antes de chegar ao festival norte-americano, “Herança de Narcisa” já percorreu importantes eventos no Brasil. O longa foi exibido no Festival do Rio, onde conquistou o Prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular, e também integrou a programação da Mostra de Cinema de Tiradentes.
Agora, ao integrar a programação do Cinequest Film & Creativity Festival, reconhecido internacionalmente por valorizar produções inovadoras, o filme amplia sua trajetória e leva ao público estrangeiro uma narrativa profundamente ligada à experiência brasileira.
Entre memórias, silêncios e reconciliações possíveis, “Herança de Narcisa” lembra que certas histórias familiares nunca desaparecem completamente — apenas aguardam o momento de serem finalmente compreendidas.
Entre memórias e segredos de família, “Herança de Narcisa” leva o drama brasileiro ao palco de um festival internacional. #CinemaBrasileiro #FestivalDeCinema 🎥
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