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Líbano vive nova onda de deslocamentos enquanto abrigos já não garantem segurança

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O dia amanheceu pesado em Marwaniyeh, no sul do Líbano. Entre corredores improvisados e quartos superlotados, famílias despertavam ainda sob o eco da noite anterior. Um ataque aéreo israelense havia atingido uma área a apenas 150 metros do chamado abrigo Montana — um antigo centro comunitário que, nos últimos anos, se transformou em lar temporário para centenas de pessoas que fugiram da guerra.

Ghina, jovem originária de Odaisseh, conhece bem o peso da palavra “temporário”. Ela chegou ao abrigo em 2023, quando os primeiros deslocamentos forçados começaram a esvaziar vilarejos próximos à fronteira. Desde então, o que deveria ser uma estadia breve se transformou em uma rotina marcada por incertezas.

“Antes éramos cinco pessoas dividindo um quarto. Agora há espaços com até 30”, conta, observando o movimento constante de novos moradores que chegam com sacolas, colchões e poucas lembranças de casa.

A história de Ghina reflete a de centenas de milhares de libaneses. Em menos de duas semanas, mais de 800 mil pessoas foram forçadas a deixar suas cidades diante da intensificação dos bombardeios e das novas ordens de evacuação emitidas por Israel. As áreas consideradas seguras mudam rapidamente no mapa — e muitas vezes desaparecem antes que as famílias consigam se reorganizar.

No abrigo Montana vivem hoje mais de 120 famílias. O fluxo recente de deslocados agravou a superlotação e tornou ainda mais precárias as condições de vida. Clínicas móveis de Médicos Sem Fronteiras (MSF) visitam o local regularmente, oferecendo atendimento básico de saúde e monitorando sinais de agravamento físico e psicológico entre os moradores.

Segundo Lou Cormack, coordenadora-geral da organização no Líbano, o impacto dos deslocamentos repetidos vai muito além da perda de moradia. “As pessoas estão sendo obrigadas a fugir novamente. Isso tem consequências profundas para a saúde física e mental”, afirma.

A expansão das ordens de evacuação agora alcança áreas ao norte do rio Litani, aproximando-se do rio Zahrani e ampliando drasticamente o território afetado. Estima-se que cerca de 14% do país esteja atualmente sob algum tipo de ordem de retirada, abrangendo aproximadamente 1.300 quilômetros quadrados e quase 200 vilarejos.

Enquanto muitos seguem rumo ao norte em busca de abrigo, outros permanecem onde estão. Não por escolha, mas por falta de alternativas: rotas inseguras, abrigos lotados e recursos cada vez mais escassos.

No abrigo Montana, o medo se mistura à exaustão. Quando o prédio tremeu com a explosão próxima, as crianças começaram a chorar e adultos correram pelos corredores tentando entender o que havia acontecido.

“Estou cansada dessa situação”, diz Ghina.

A frase ecoa como um retrato do momento no Líbano: uma população presa entre a urgência de fugir e a ausência de um lugar seguro para chegar.

Entre malas improvisadas e quartos lotados, famílias no Líbano vivem o peso de fugir mais uma vez — sem saber para onde ir.   #BreakingNews   #CriseHumanitária

 

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