Durante muito tempo, o compliance foi visto nas empresas como um item quase invisível da estrutura corporativa — necessário, mas frequentemente associado a custos e burocracia. Nos últimos anos, porém, essa percepção começou a mudar. Em um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso e digitalizado, programas de integridade passaram a ser tratados como uma espécie de seguro institucional.
O cenário ajuda a explicar essa transformação. Segundo o relatório Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil encerrou 2023 com cerca de 83,8 milhões de processos em tramitação. Ao mesmo tempo, órgãos públicos ampliaram o uso de sistemas de fiscalização eletrônica e cruzamento automatizado de dados fiscais, trabalhistas e societários.
Para a advogada Mayra Saitta, especialista em Direito Empresarial e fundadora do Grupo Saitta, essa combinação alterou profundamente a lógica de gestão das empresas.
“Compliance deixou de ser custo e virou proteção do negócio. Ele reduz a exposição jurídica, organiza a estrutura interna e traz previsibilidade financeira”, afirma.
Se antes o tema estava concentrado em grandes companhias ou empresas que contratavam com o setor público, hoje a pauta alcança organizações de todos os portes. A Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) consolidou programas de integridade como instrumentos relevantes para avaliação institucional, enquanto bancos, investidores e parceiros comerciais passaram a exigir maior transparência e controle de riscos.
Na prática, governança e compliance passaram a caminhar juntos.
A implementação eficaz costuma começar com um diagnóstico técnico detalhado, capaz de identificar vulnerabilidades fiscais, trabalhistas e societárias antes que elas se transformem em litígios ou autuações administrativas. A partir desse mapeamento, empresas conseguem estabelecer prioridades e estruturar um cronograma de adequação.
Entre as medidas mais comuns estão a formalização de processos internos, a criação de políticas de integridade, treinamentos periódicos para equipes e o acompanhamento contínuo de mudanças legislativas — uma tarefa particularmente desafiadora no sistema tributário brasileiro.
Segundo Saitta, um dos erros mais frequentes ocorre quando empresas procuram orientação apenas após receber notificações ou enfrentar disputas judiciais.
“Quando a busca por compliance acontece depois da autuação, o custo tende a ser maior e as alternativas de solução são mais limitadas”, explica.
A adoção de práticas estruturadas também contribui para melhorar a relação com instituições financeiras e ampliar a confiança de investidores. Empresas que demonstram organização societária, controle de riscos e previsibilidade de fluxo de caixa tendem a ganhar mais credibilidade no mercado.
Ainda assim, especialistas ressaltam que compliance não elimina completamente os riscos.
Seu papel principal é reduzir a probabilidade de prejuízos graves e garantir que a empresa esteja preparada para responder a fiscalizações, auditorias ou disputas jurídicas.
Em um país marcado por complexidade regulatória e crescente digitalização da fiscalização, antecipar problemas deixou de ser apenas prudência administrativa. Tornou-se, cada vez mais, uma vantagem competitiva.
No Brasil de fiscalizações digitais e milhões de processos, compliance virou escudo para empresas. #GovernançaCorporativa #ComplianceEmpresarial ⚖️
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