Há artistas que permanecem nos museus. Outros atravessam o tempo como presença viva — inquieta, pulsante, impossível de conter. Hélio Oiticica pertence a essa segunda categoria. E é justamente esse espírito que ganha corpo nos dias 21 e 22 de março, no Parque Cultural Casa do Governador, em Vila Velha (ES), com o seminário “Só o experimental me interessa: 46 anos da morte de Hélio Oiticica”.
Mais do que um encontro acadêmico, o evento se propõe como experiência. Um território de troca, onde pensamento e sensorialidade caminham juntos. A programação marca também a inauguração da instalação Magic Square #3, um labirinto de cores vibrantes ao ar livre que passa a integrar o acervo permanente do parque — e que, por si só, já convida o público a atravessar a arte com o corpo.
Organizado por uma curadoria que reúne educação, crítica e prática artística, o seminário traz nomes fundamentais para o debate contemporâneo. Entre pesquisadores, artistas e pessoas próximas ao universo de Oiticica, surgem reflexões que vão da experimentação radical ao conceito de “Crelazer”, ideia que desafia a lógica produtivista e propõe outra relação com o tempo, o fazer e o viver.
No sábado, a programação ganha um momento especial com Adriana Calcanhotto. Em uma conversa musical mediada pelo curador Omar Salomão, a artista compartilha sua relação com a obra de Oiticica — uma conexão que transborda da admiração para a criação. Seja vestindo parangolés ou transformando instalações em cenário, Adriana revisita um diálogo que mistura música, corpo e arte visual.
O domingo amplia a proposta de imersão. Visitas mediadas, oficinas para crianças e ativações sensoriais ocupam o espaço, reforçando o caráter acessível e coletivo do evento. O encerramento, ao som do cortejo da escola de samba Mocidade Unida da Glória, traduz com precisão o espírito de Oiticica: arte que não se observa à distância, mas que se vive em comunidade.
Outro destaque é a Arena H.O, concebida como um espaço de investigação e compartilhamento. Ali, o público encontra fragmentos de pesquisa, registros e imagens que revelam não apenas a obra, mas os caminhos que levam até ela.
Ao reunir reflexão, prática e celebração, o seminário reafirma a atualidade de Hélio Oiticica. Sua obra segue aberta, em construção — como um convite permanente à experimentação. E, por dois dias, Vila Velha se torna esse lugar onde arte não se explica: se atravessa.
Aqui, a arte não se olha — se atravessa. #ArteContemporanea #CulturaBrasileira
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