Jericoacoara vira lar para quem chega sem planos de ficar
Vila cearense transforma turistas em moradores
Jericoacoara vira lar para quem chega sem planos de ficar
Vila cearense transforma turistas em moradores
Em Jericoacoara, o vento parece fazer mais do que mover as dunas. Ele altera rotas, desacelera o tempo e, para muita gente, muda completamente a ideia de futuro. O que começa como viagem de férias frequentemente termina em mudança de vida. Entre ruas de areia, pores do sol ritualizados e uma rotina distante das pressões urbanas, a vila cearense se tornou símbolo de um fenômeno silencioso: visitantes que chegam por alguns dias e acabam ficando por anos.
Foi exatamente assim com o fotógrafo Regivaldo Freitas. Ele conheceu Jeri em 1999, durante o Réveillon, ainda como turista. Voltou outras vezes até que, em 2006, aceitou um convite para desenvolver uma revista local e decidiu morar definitivamente na vila. O que encontrou ali foi mais do que cenário para fotografias.
“Quando cheguei para morar, a vila se revelou pra mim. Passei meses fotografando tudo e todos”, relembra. Já reconhecido profissionalmente e autor do livro Entorno, Regivaldo viu em Jericoacoara uma transformação também pessoal. Segundo ele, existe uma energia difícil de explicar para quem nunca viveu a experiência.
Essa sensação de pertencimento aparece de forma recorrente entre moradores que um dia chegaram apenas de passagem. Em Jeri, turistas, artistas, empreendedores e pescadores compartilham espaços e rotinas de maneira menos hierárquica, criando uma convivência marcada por liberdade e espontaneidade.
Ao longo de quase vinte anos vivendo na região, Regivaldo acompanhou a expansão turística e urbana da vila. Novos empreendimentos, plataformas de hospedagem e maior fluxo internacional passaram a integrar a paisagem. Ainda assim, alguns símbolos permanecem intactos: a pesca artesanal, o encontro diário para assistir ao pôr do sol e lugares como o Serrote, área que conecta a Praia da Malhada à Pedra Furada.
Para o fotógrafo, o Serrote representa a essência de Jericoacoara. “É um lugar com fauna e flora riquíssimas, uma vista de 360 graus do mar. Eu considero intocável”, afirma.
As mudanças da vila também se transformaram em matéria-prima artística. Foi dessa convivência entre tradição e crescimento urbano que nasceu Morador, livro fotográfico construído ao longo de 15 anos. A obra registra contrastes visuais e emocionais de uma Jericoacoara em transformação, especialmente até 2015, período que Regivaldo define como “a época da magia”.
Mais do que retratar paisagens, o livro documenta a maneira como o território molda quem vive nele. E talvez seja justamente essa força invisível que explique por que tanta gente chega a Jericoacoara sem intenção de permanecer — e acaba chamando o lugar de casa.
Tem lugares que a gente visita. E tem lugares que mudam tudo. Em Jeri, muita gente chega de férias e acaba ficando. #Jericoacoara #TravelLifestyle
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