Linkezine entrevista Hélio Suêvo, Diretor Cultural de Preservação da Memória Ferroviária da Associação de Engenheiros Ferroviários (Aenfer). Ele também é autor do livro “A Formação das Estradas de Ferro no Rio de Janeiro/O Resgate da sua Memória”, e atualmente é Consultor Ferroviário da empresa MetroTKS _ Vias. Nessa entrevista Hélio falará um pouco sobre mobilidade urbana.
Com vocês Hélio Suêvo!
O Município do Rio de Janeiro, através da câmara de vereadores, vem produzindo o Plano Diretor e uma das propostas é melhorar a mobilidade na cidade. Qual foi a contribuição da Aenfer, Associação de Engenheiros Ferroviários, para o plano diretor?
Hélio: A realidade é que temos pouco apoio da classe política em todos os níveis (Municipal, Estadual e Federal) no que se refere as questões ferroviárias do Rio de Janeiro. Na Câmara Municipal do RJ existe uma Coordenação Especial de Integração dos Modais de Transportes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro/RMRJ, a qual estamos em contato com a Câmara, visando subsidiar essa Coordenação com propostas técnicas referentes a melhoria da Mobilidade Urbana no RJ, já que o chamado Plano Diretor é sempre cumprido parcialmente dependendo da disponibilidade de recursos. A ALERJ instaurou em agosto/2023 a Frente Parlamentar Pró Ferrovias Fluminense, onde a questão Mobilidade Urbana/Sistemas Metro-ferroviários está sendo debatida. Semanalmente, o chamado Fórum de Mobilidade Urbana, coordenado pelo Clube de Engenharia, promove reuniões virtuais para debates dessas questões, onde a nossa Associação participa tecnicamente.
Aenfer está se mobilizando em defesa da Estação Barão de Mauá, contra o prefeito Eduardo Paes e a União, que tem outros planos para a Estação. Diante desse impasse, qual seria a proposta da Aenfer para a Estação Barão de Mauá, que é um patrimônio para a cidade e um símbolo de mobilidade ferroviária?
Hélio: Com respeito ao acordo assinado entre a União e a Prefeitura Municipal do RJ sobre o projeto de destinação do Complexo Ferroviário Barão de Mauá(Leopoldina), com obras que não atendem a identidade ferroviária do Complexo, no dia 21/03 eu te encaminhei via ZAP um Relatório contendo as justificativas e argumentações referentes a defesa do mesmo como já te falei para fins ferroviários.
O avanço das novas tecnologias e o melhoramento das matérias-primas, seria possível trocar toda a fiação elétrica dos trens por uma nova tecnologia que permitisse uma entrega de serviço ferroviário de excelência, e acabar com os atrasos, roubos de cabos, melhoramento de plataforma, enfim, ter uma repaginada no serviço ferroviário?
Hélio: Estamos atravessando um problema extremamente grave em relação a questão da desistência da Concessionária Supervia em operar o sistema de Trens Urbanos do RJ, com postergação e degradação dos trabalhos de manutenção do sistema em um todo (via permanente, sistemas de rede aérea de tração, sinalização, telecomunicações e material rodante) com riscos operacionais bastante elevados. O roubo de material ferroviário realmente cresceu no último ano e pelo visto de difícil solução por parte das autoridades da Concessionárias, até mesmo pelo Governo do estado. Quanto a evolução de tecnologia do sistema elétrico que você mencionou, a mesma foi implantada a partir de 1930 e 1940, da rede aérea de tração e sistema de sinalização, respectivamente nas linhas suburbanas do RJ. O sistema de Rede Aérea é em 3KVcc(em corrente contínua). A princípio o primeiro ponto seria a mudança de corrente para 25KV(CA) o que iria possibilitar o início de uma modernização tecnológica, o que a curto e médio prazo acho difícil de acontecer.
Quando Fernando Haddad foi prefeito em São Paulo, de 2013 a 2016, ele incentivou a mobilidade alternativa, como bicicletas, patins, skates, patinetes, scooter elétrica. Foi um momento diferente na cidade de São Paulo. Em 2024 temos outros desafios, como trafegar entre bikes elétricas, patinetes elétricos, tudo muito diferente de 2013. Como é possível organizar tanta novidade em um único trecho público?
Hélio: Quanto a Mobilidade Urbana Alternativa, proposta pela Prefeitura de SP é perfeita, pois na realidade por definição, Mobilidade Urbana não se refere somente a integração dos modos de Transportes, isto é ,ônibus ,trem urbano ,metrô, VLT e Sistema de Bondes, e sim outras premissas onde podemos citar: Estradas/Avenidas/Ruas pavimentadas com sinalização e iluminação eficiente; calçadas em perfeito estado, gestão pública adequada com menor privilégio, a circulação de automóveis e uma Autoridade Metropolitana para ordenar e dar solução nas integrações conflituosas.

