Nesta terça-feira (6), a região da Cracolândia, no Centro de São Paulo, foi palco de uma operação significativa das forças de segurança. A Operação Salus et Dignitas, coordenada pelo Ministério Público (MP), resultou na emissão de sete mandados de prisão preventiva contra suspeitos de envolvimento em atividades criminosas, incluindo membros da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e um ex-agente da GCM.
Investigações e Prisões
A investigação conduzida pelo MP revelou que três guardas-civis metropolitanos e um ex-agente da GCM estavam envolvidos em uma milícia armada que extorquia comerciantes na Cracolândia. Esses agentes movimentaram mais de R$ 3 milhões em dinheiro extorquido. Além deles, um casal de traficantes e um funcionário de uma empresa de comunicação também foram alvo de mandados de prisão, sendo acusados de outros crimes na região.
Até o momento da última atualização, cinco dos sete alvos foram detidos pelas forças de segurança: dois guardas-civis, dois traficantes e o funcionário da empresa. Os demais suspeitos ainda estão sendo procurados.
Detalhes dos Detidos
Entre os detidos, destacam-se:
- Leonardo Moja, conhecido como “Léo do Moinho”, apontado como chefe da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na Favela do Moinho. Já havia sido preso em 2021 por suspeita de homicídios.
- Janaína da Conceição Cerqueira Xavier, suspeita de tráfico de drogas.
- Antonio Carlos Amorim Oliveira, GCM suspeito de extorsão de comerciantes.
- Renata Oliva de Freitas Scorsafava, GCM suspeita de extorsão de comerciantes.
- Valdecy Messias de Souza, funcionário de uma empresa de comunicação, acusado de fornecer aparelhos de rádio aos criminosos.
Extorsão e Propina
A Cracolândia é conhecida pela venda e consumo de drogas. Os investigados extorquiam dinheiro de comerciantes locais em troca de “proteção”. O MP apreendeu um documento intitulado “lista de colaboradores de boa fé que pagaram a segurança”, revelando quais comerciantes eram extorquidos. Policiais militares e civis também estariam envolvidos no esquema.
Colaboração das Forças de Segurança
A Operação Salus et Dignitas contou com a participação do MP, Receita Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal e Ministério do Trabalho e Emprego. Foram emitidos 117 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, além de 46 mandados de sequestro e bloqueio de bens e suspensão de atividade econômica de 44 prédios comerciais. Imóveis envolvidos nas atividades ilícitas serão lacrados para impedir a continuidade dos crimes.
Estrutura da Quadrilha
O MP identificou cinco grupos de atuação criminosa na Cracolândia:
- Ferros-velhos: Empresários exploravam dependentes químicos para furtar fios de energia, trocando o cobre por drogas.
- Milícia de GCMs: Guardas-civis e policiais extorquiam comerciantes.
- Receptação de celulares: Comerciantes libaneses receptavam e revendiam celulares roubados.
- Hotéis e hospedarias: Controlados pelo PCC, serviam para armazenar drogas e abrigar “tribunais do crime”.
- Favela do Moinho: Base do PCC para tráfico de drogas e armazenamento de armas.
Declarações Oficiais
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, acompanhou a operação e afirmou que o objetivo é “devolver o Centro às pessoas”. O prefeito Ricardo Nunes, em nota, destacou o apoio da prefeitura na operação e as medidas tomadas contra guardas civis envolvidos em crimes.
Conclusão
A Operação Salus et Dignitas representa um esforço significativo para desmantelar esquemas criminosos na Cracolândia e garantir a segurança da região. As ações das forças de segurança visam combater a corrupção e o crime organizado, promovendo um ambiente mais seguro para os moradores e comerciantes do Centro de São Paulo.
Essa matéria detalha as ações da operação, os suspeitos envolvidos, e os objetivos das autoridades, fornecendo um panorama completo sobre a situação na Cracolândia.

