Condenação na Segurança: secretário e GCM de Ribeirão Pires são pegos furtando açougues e seguem nos cargos
Condenação na Segurança: secretário e GCM de Ribeirão Pires são pegos furtando açougues e seguem nos cargos
Um escândalo mancha a segurança pública de Ribeirão Pires, cidade da Grande São Paulo. O atual Secretário Municipal de Segurança, Sandro Torres Amante, e o ex-inspetor da Guarda Civil Municipal Gutembergue Martins Silva foram condenados por furto qualificado após a participação em uma ação criminosa que envolveu carne, dinheiro, manipulação de câmeras e táticas típicas de grupos organizados. O caso, julgado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de SP, remonta a 2018, mas só agora veio à tona com força, após a confirmação da sentença.
Na madrugada de 18 de junho de 2018, 60 kg de carne e R$ 28 mil foram levados de dois açougues no centro da cidade, a apenas 300 metros um do outro. O furto não foi obra de impulso: foi planejado nos mínimos detalhes, com manipulação das câmeras de monitoramento da própria prefeitura e uso de veículos para transporte e fuga.
Um crime com cara de missão
De acordo com o Ministério Público, Gutembergue manipulou o sistema de câmeras da cidade para que os açougues ficassem fora do campo de visão. Ao mesmo tempo, foi feita uma denúncia falsa para desviar patrulhas da região central. Ainda assim, uma câmera reposicionada por uma testemunha conseguiu registrar os envolvidos dividindo o produto do furto entre três carros: um Peugeot vermelho, um Fiat 500 branco e um Hyundai i30 preto — todos identificados e ligados diretamente aos réus.
Mais grave: Sandro Torres foi flagrado dirigindo o i30, e ainda assim foi promovido a secretário da pasta que deveria garantir a segurança da cidade em dezembro de 2023 — mesmo já sendo réu no processo. A prefeitura afirma que não foi notificada oficialmente da condenação.
Justiça aponta provas irrefutáveis
A 5ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP considerou provas suficientes os vídeos, depoimentos de testemunhas protegidas e boletins de ocorrência. Mesmo após tentativa de apagamento das imagens no dia seguinte ao crime, registros fundamentais foram recuperados.
O processo inicialmente absolveu Sandro, mas o Ministério Público recorreu e conseguiu sua condenação. A sentença determina a perda do cargo público, mas ele continua à frente da secretaria porque o caso está em análise no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Indícios de milícia e propina
Para além do furto, as investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) identificaram elementos de formação de milícia privada entre os agentes da GCM. As denúncias incluem extorsão de comerciantes, cobranças ilegais por segurança, ligação com o tráfico de drogas e recebimento de propina. Uma das testemunhas afirmou que viaturas da ROMU, grupo especial da GCM, foram vistas recebendo dinheiro de traficantes e libertando criminosos.
Apesar da gravidade, a Justiça ainda não acatou a denúncia formal de milícia, mas os desdobramentos seguem em investigação.
A cidade em alerta
Ribeirão Pires, com cerca de 115 mil habitantes, vive hoje uma crise de credibilidade em sua segurança pública. Comandada por um secretário condenado e sob suspeita de abrigar uma milícia interna, a GCM da cidade enfrenta uma tempestade ética e institucional que, ao que tudo indica, está longe de terminar.
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