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Raízes: Começo, Meio e Começo | Megaexposição no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB)

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A exposição “Raízes: Começo, Meio e Começo”, em cartaz no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, promete ser uma das atrações mais visitadas do circuito de turismo histórico no Brasil em 2024. Reunindo mais de 200 obras de arte clássica e contemporânea, assinadas por 80 artistas negros, a mostra mergulha nas profundezas das tecnologias ancestrais, explorando as origens africanas e o impacto contínuo dessas raízes na sociedade contemporânea.

A Visão Africana do Tempo

A exposição se estrutura em torno de uma perspectiva africana do tempo, que o vê como um ciclo sagrado, em contraste com a noção ocidental de linearidade. Na cosmovisão africana, o tempo é entendido como um fluxo contínuo, onde passado, presente e futuro coexistem de maneira interligada. Essa visão é simbolizada pelo algarismo “8” deitado, que representa a infinitude e reflete a soma dos números que formam o ano de 2024. A exposição é dividida em cinco eixos temáticos: “Origens”, “Sagrado”, “Ruas”, “Afrofuturismo” e “Bembé do Mercado”, que juntos oferecem uma experiência que transcende a lógica ocidental do tempo irreversível.

A Centralidade do Baobá

No coração da exposição, o Baobá, árvore sagrada da cultura africana, desempenha um papel central. Conhecido como a “árvore da vida”, o Baobá simboliza as raízes profundas e a memória ancestral das comunidades africanas. Ele também carrega um significado doloroso, representando a “árvore do esquecimento” na história das populações negras escravizadas. Antes de serem forçados a atravessar o Atlântico rumo às Américas, os africanos realizavam um ritual ao redor do Baobá para cortar seus vínculos com a terra de origem. Hoje, o Baobá na exposição representa a resiliência e a contínua renovação da identidade afro-brasileira, enfatizando a importância de se enraizar nas tradições e memórias ancestrais.

Curadoria e Conceito

Curada por Jamile Coelho e Jil Soares, gestores culturais do MUNCAB, a exposição celebra a resistência africana e a contribuição das culturas afrodescendentes para as sociedades contemporâneas. A instalação central, um gigante Baobá, acolhe os visitantes logo na entrada, no eixo “Origens”, onde narrativas visuais recriam o vínculo indissolúvel entre o continente africano e os quilombos do Novo Mundo. No eixo “Sagrado”, o culto aos espíritos ancestrais é representado através de artefatos, músicas e danças que homenageiam orixás, nkisis e voduns, conectando-os aos caboclos encantados do Brasil.

Vanguardas e Identidade Afrodescendente

Os outros eixos da exposição, “Ruas” e “Afrofuturismo”, exploram a influência cultural africana na vida urbana e nas expressões artísticas contemporâneas. O eixo “Ruas” destaca o impacto da linguística africana nas cidades e apresenta obras de Heitor dos Prazeres, que retratam a formação dos subúrbios e das rodas de samba no Rio de Janeiro. Já “Afrofuturismo” mescla ficção científica, tecnologia e mitologia africana para criar uma visão do futuro centrada na população negra. O eixo final, “Bembé do Mercado”, celebra a resistência cultural e a afirmação identitária afrodescendente através de festividades que combinam elementos da religião católica com práticas africanas.

Um Tributo a Exu

A exposição também presta homenagem a Exu, orixá regente de 2024, destacando sua importância como princípio dinâmico e transformador em todas as coisas. Com projeto expográfico de Gisele de Paula e identidade visual de M. Dias Preto, a mostra é uma realização do MUNCAB em parceria com a RCD Produção de Arte e apoio do Instituto Ibirapitanga.

Informações para Visitação

A megaexposição “Raízes: Começo, Meio e Começo” estará aberta ao público de 07 de agosto de 2024 a 09 de março de 2025. As visitas podem ser feitas de terça-feira a domingo, das 10:00h às 17:00h, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), localizado na Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico de Salvador, Bahia. Para mais informações, visite o site museuafrobrasileiro.com.br.

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