A ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, classificou a COP29, realizada em Baku, Azerbaijão, como uma “experiência difícil” durante seu discurso na plenária final neste sábado (23). A avaliação reflete os intensos debates e a dificuldade em alcançar consensos diante da crise climática global. As negociações sobre o financiamento climático se estenderam além do prazo original, sinalizando a complexidade do tema.
Financiamento climático: impasses e avanços
Marina criticou a proposta inicial das nações ricas para o financiamento climático, que previa US$ 280 bilhões até 2035, considerada insuficiente pelos países em desenvolvimento. Após negociações, o valor foi ampliado para US$ 300 bilhões anuais, mas ainda aquém do montante de US$ 1 trilhão inicialmente solicitado. A ministra reforçou que os recursos são indispensáveis para apoiar as nações mais vulneráveis na transição climática e adaptação às mudanças.
“Os países em desenvolvimento não buscam esses recursos para benefício próprio, mas em benefício de todos,” enfatizou Marina, alinhando-se ao Acordo de Paris.
Solidariedade global e tensões diplomáticas
A COP29 foi marcada por divergências sobre o texto final das negociações. Delegações de pequenos Estados insulares e países em desenvolvimento abandonaram a sala em protesto contra a falta de atenção às necessidades dos mais vulneráveis. Marina Silva destacou a importância de um retorno ao diálogo, ressaltando o compromisso de “não deixar ninguém para trás”.
Compromisso brasileiro com as metas climáticas
Marina reafirmou o comprometimento do Brasil em cumprir as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para a redução de emissões de gases de efeito estufa. O objetivo central é alinhar ações ambiciosas para limitar o aquecimento global a 1,5°C até a COP30, que será realizada em Belém (PA), no bioma amazônico.
“Até a COP30, nosso objetivo é viabilizar os meios necessários para implementar compromissos que assegurem a redução de emissões,” declarou.
COP30: a “COP das COPs”
A próxima conferência, marcada para novembro de 2025, será um marco simbólico e estratégico. A realização no território amazônico destaca a relevância da preservação do maior bioma tropical do planeta. Marina a chamou de a “COP das COPs”, salientando os desafios e oportunidades para restaurar ecossistemas e avançar na agenda climática global.
Carbono como moeda climática
Outro avanço significativo da COP29 foi o acordo sobre as regras para um mercado global de créditos de carbono. Este mecanismo permitirá a troca de créditos, representando a não emissão de uma tonelada de CO2, incentivando práticas sustentáveis, como a transição para fontes limpas e o reflorestamento.
Trump e o cenário internacional
Questionada sobre o impacto da eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, Marina destacou a necessidade de compromisso global, mesmo diante de desafios políticos.
“Não paramos quando os EUA não aderiram ao Protocolo de Kyoto e ao Acordo de Paris, mas reconhecemos o prejuízo para toda a humanidade,” disse Marina.
A COP29 evidenciou as dificuldades de uma agenda climática global, mas também trouxe avanços importantes, como o reforço no financiamento climático e a criação de um mercado de carbono. Marina Silva encerrou com um apelo por mais solidariedade e ações concretas: “Estamos no processo de parto de uma solução e precisamos garantir que o resultado valha a pena.”

