ouça aqui : Seis Anos Após Tragédia da Vale em Brumadinho, Minas Gerais Ainda Convive com o Risco de Barragens
Nesta quinta-feira (25), o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), completa seis anos. O desastre, ocorrido em 2019, deixou 270 mortos, três desaparecidos e marcou a história do país como uma das maiores tragédias ambientais e humanitárias. Apesar do impacto, Minas Gerais ainda enfrenta desafios significativos relacionados à segurança de barragens. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), o estado possui 43 estruturas em níveis de alerta ou emergência, representando 42% das barragens nessa situação no Brasil.
Distribuição e Classificação das Barragens em Risco
As barragens em Minas Gerais sob alerta estão espalhadas por 19 municípios, principalmente na Região Central do estado. Elas são classificadas conforme o nível de risco identificado:
- 15 barragens em nível de alerta: anomalias detectadas, mas sem risco imediato.
- 22 em nível de emergência 1: categoria de risco alta, demandando atenção redobrada.
- 4 em nível de emergência 2: anomalias não controladas, indicando maior gravidade.
- 2 em nível de emergência 3: ruptura inevitável ou em andamento.
As duas barragens em situação mais crítica (nível 3) são:
- Forquilha III, da Vale, em Ouro Preto: armazena 19,4 milhões de m³ de rejeitos.
- Serra Azul, da ArcelorMittal, em Itatiaiuçu: armazena 5,02 milhões de m³.
Ambas foram construídas pelo método a montante, semelhante às estruturas que colapsaram em Brumadinho e Mariana.
Proibições e Descumprimento de Prazos
Após os desastres, a construção e o alteamento de barragens a montante foram proibidos no Brasil. A Lei Federal 14.066, de 2020, determinou o prazo até 25 de fevereiro de 2022 para a descaracterização dessas estruturas. No entanto, o prazo não foi cumprido.
Em Minas Gerais, 19 barragens foram descaracterizadas, mas outras 35 permanecem em processo, incluindo as de maior risco:
- Forquilha III: previsão de conclusão apenas em 2035.
- Serra Azul: prazo estimado para 2032.
Legado de Tragédias e Preocupações Futuros
As tragédias em Brumadinho e Mariana evidenciaram os riscos associados ao método de construção a montante. Esse tipo de estrutura utiliza os próprios rejeitos da mineração para alteamentos em forma de degraus, aumentando a vulnerabilidade à ruptura.
Seis anos após o desastre de Brumadinho, o julgamento dos responsáveis ainda não foi concluído, e famílias das vítimas seguem em busca de justiça e respostas.
Enquanto isso, o estado convive com o medo de novos desastres, mesmo diante de avanços na fiscalização e da pressão por maior segurança nas operações de mineração.
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