Linkezine

Brasil aposta em biocombustíveis enquanto EUA abandonam negociações na IMO

Anúncios

Brasil aposta em biocombustíveis enquanto EUA abandonam negociações na IMO

Enquanto os EUA de Trump viram as costas à ação climática, Brasil avança com biocombustíveis sustentáveis para descarbonizar o transporte marítimo até 2050.

Na sede da Organização Marítima Internacional (IMO), em Londres, a tensão diplomática se mistura à urgência climática. A conferência reúne representantes de 175 países com a meta de definir, até 2050, um caminho viável para a redução de emissões no transporte marítimo — setor responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. Em meio a esse cenário decisivo, o Brasil marca presença com uma bandeira clara: os biocombustíveis.

Na contramão, os Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, anunciaram na quarta-feira (9/4) a saída das negociações. O governo norte-americano rejeitou qualquer tentativa de aplicação de taxa de carbono aos seus navios e prometeu retaliações econômicas caso medidas desse tipo sejam adotadas. A postura reativa dos EUA acirra ainda mais o debate geopolítico sobre quem pagará a conta da transição energética.

Ciência brasileira em campo: 80 estudos para convencer o mundo

Enquanto a maior potência do mundo abandona o diálogo, o Brasil reforça sua posição com base científica. Uma delegação formada por pesquisadores e representantes da indústria nacional levou à IMO um dossiê com mais de 80 estudos internacionais. O objetivo: demonstrar que os biocombustíveis brasileiros — etanol de cana, biodiesel de soja, entre outros — são sustentáveis e não competem com a produção de alimentos.

A mobilização é liderada pela professora da USP Glaucia Souza, coordenadora do Programa de Pesquisa em Bioenergia da Fapesp e líder da Força-Tarefa de Descarbonização com Biocombustíveis da Agência Internacional de Energia. “Estamos oferecendo evidências de que a produção de biocombustíveis não compete com alimentos. Essa narrativa precisa ser desconstruída com dados sérios”, afirma.

Brasil defende flexibilidade e se opõe a taxações unilaterais

No centro das discussões, há duas propostas principais para viabilizar a transição energética marítima: a imposição de uma taxa de carbono, que serviria para financiar o processo, ou a criação de um mecanismo de conformidade com flexibilidade, que reconheça e valorize os países que já investem em combustíveis de baixo carbono.

O Brasil defende a segunda opção. A taxação, segundo o governo brasileiro e representantes da indústria, poderia penalizar desproporcionalmente os países do Sul Global, como o Brasil, ao encarecer o frete marítimo de longa distância e criar barreiras comerciais indiretas.

“Na aviação, o Brasil chegou atrasado e teve que se adaptar aos padrões impostos. Agora, na IMO, estamos no jogo antes da decisão”, explica Camilo Adas, diretor de Transição Energética da Be8. A empresa, aliás, anunciou no final de março uma parceria com a Vast no Porto do Açu, buscando introduzir o biodiesel no transporte marítimo comercial.

Corrida contra o tempo: decisão deve sair ainda nesta semana

A expectativa é de que, até sexta-feira (11/4), a IMO anuncie uma decisão consensual e definitiva sobre o modelo de descarbonização a ser adotado. A medida, uma vez aprovada, será obrigatória para todos os países-membros — moldando as bases regulatórias do setor pelos próximos 25 anos.

Em um cenário global marcado por tensões políticas e disputas tecnológicas, o Brasil tenta assegurar que sua matriz energética limpa e sua capacidade agrícola sejam reconhecidas como ativos estratégicos — não como obstáculos.

disponível para venda na Amazon:  https://a.co/d/0gDgs0S

 

Sair da versão mobile