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Bolsonaro surpreende em interrogatório e divide juristas no STF

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⚖️ Bolsonaro surpreende em interrogatório e divide juristas no STF 🤝🎙️

 

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) adotou uma postura serena e até cordial no seu interrogatório perante o Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10), surpreendendo tanto críticos quanto apoiadores. Réu por suposta tentativa de golpe de Estado, o ex-chefe do Executivo respondeu a todas as perguntas — inclusive as do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo — sem recorrer ao direito constitucional ao silêncio.

O comportamento inesperado levantou debates entre juristas. Para alguns, Bolsonaro demonstrou habilidade política e domínio narrativo, negando eloquentemente qualquer envolvimento com ações golpistas. Para outros, a postura de “excesso de deferência” ao STF pode desagradar sua base mais radical, acostumada a discursos de enfrentamento com a Corte.

O criminalista Aury Lopes Júnior elogiou a desenvoltura do ex-presidente:

“Surpreendeu pela boa comunicação, clareza e até coragem em pedir desculpas ao ministro Moraes por atitudes passadas”, afirmou.

Já o professor de Direito da USP, Rafael Mafei, foi mais crítico:

“Ao se mostrar tão amistoso, Bolsonaro pode minar sua imagem entre os apoiadores mais fiéis, que esperavam enfrentamento, não conciliação.”

O tom descontraído marcou não apenas as respostas, mas até momentos de piadas entre Bolsonaro e Moraes, incluindo um convite informal para que o ministro fosse seu vice em 2026 — prontamente recusado com bom humor.

O que disse Bolsonaro?

Bolsonaro negou qualquer envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, na elaboração de minutas golpistas, e reuniões para decretar estado de sítio. Admitiu que houve discussões sobre “alternativas constitucionais”, mas que nada foi adiante.

Ele também argumentou que não acionou os Conselhos da República ou da Defesa, órgãos responsáveis por validar medidas de exceção. Para Aury Lopes Júnior, porém, esse argumento é frágil:

“Se houvesse um golpe real, o uso desses conselhos jamais seria cogitado. Isso não nega o plano, apenas mostra que ele não seria institucionalizado.”

A fase de interrogatórios, que ouviu oito réus, caminha para o fim do processo. Após o prazo para novas diligências e alegações finais, o julgamento será marcado pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Moraes, Fux, Dino, Cármen Lúcia e Zanin.

A expectativa é que as provas digitais, mensagens, geolocalizações e documentos tenham mais peso que os depoimentos em si. Mas os efeitos políticos — especialmente junto à base bolsonarista — ainda estão em aberto.

 

 

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