.🦂 Veneno de escorpião pode revolucionar combate ao câncer de mama no Brasil
Um estudo promissor da Universidade de São Paulo (USP) está abrindo novas possibilidades para o tratamento do câncer de mama: pesquisadores identificaram no veneno do escorpião Brotheas amazonicus, uma espécie encontrada na região amazônica, uma molécula capaz de eliminar células cancerígenas com eficácia semelhante à de quimioterápicos já utilizados atualmente.
A descoberta foi apresentada recentemente durante a Fapesp Week França e é fruto da colaboração entre a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O composto bioativo foi batizado de BamazScplp1 e já demonstrou, em testes laboratoriais, forte ação antitumoral contra células de câncer de mama, atuando por necrose celular.
“A molécula que identificamos é semelhante à de outras espécies de escorpiões, mas com uma resposta especialmente potente no combate ao câncer de mama”, explicou a professora Eliane Candiani Arantes, coordenadora do projeto.
🔬 Toxinas que curam: da natureza ao laboratório
A pesquisa é parte de um esforço mais amplo desenvolvido no Centro de Ciência Translacional e Desenvolvimento de Biofármacos (CTS) e no Cevap/Unesp, que há anos investe na transformação de toxinas animais em medicamentos. De venenos de serpentes, como a cascavel, já nasceram produtos inovadores como o selante de fibrina, uma “cola biológica” hoje em estudos avançados para usos em nervos, ossos e lesões medulares.
Com a toxina do escorpião, os cientistas pretendem agora reproduzir a molécula por meio de expressão heteróloga — uma técnica que permite a fabricação da proteína em organismos como leveduras, de forma mais controlada e escalável.
A expectativa é que, com novos testes, a molécula possa evoluir para um fármaco inédito, ampliando as alternativas de tratamento para o câncer de mama, uma das doenças que mais mata mulheres no mundo.
🧠 Inteligência artificial, imunoterapia e terapias de ponta no Brasil
A mesma Fapesp Week apresentou outras abordagens de ponta em desenvolvimento no país, como:
- Imunoterapias baseadas em células dendríticas, criadas a partir da fusão entre células saudáveis e tumorais para ativar o sistema imune;
- Terapias teranósticas, que integram diagnóstico e tratamento por meio de moléculas-alvo radioativas;
- Modelos de IA aplicados à ressonância magnética, capazes de prever o tempo de vida e resposta à quimioterapia de pacientes com glioblastoma, com até 90% de precisão.
Essas iniciativas reforçam o protagonismo da ciência brasileira no cenário internacional, especialmente quando apoiada por colaborações entre universidades, centros de pesquisa e instituições internacionais.
🌿 Esperança que vem da floresta
A descoberta da toxina BamazScplp1 simboliza mais do que inovação científica: representa uma nova esperança para milhares de pacientes. A natureza, mais uma vez, mostra seu poder como aliada da medicina, e a ciência brasileira reafirma seu papel no desenvolvimento de terapias inovadoras e acessíveis, que podem transformar o futuro do combate ao câncer.
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S
