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Estudo Mostra que Mamografia Anual Reduz Casos de Câncer de Mama em Estágio Avançado

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Mulheres que realizam mamografia anualmente têm uma chance menor de descobrir o câncer de mama em estágio avançado do que aquelas que fazem o exame a cada dois anos ou com menor frequência. A conclusão é de uma pesquisa da Universidade de Pittsburgh, publicada em agosto no Journal of Clinical Oncology. Segundo o estudo, o rastreamento anual aumenta a possibilidade de um diagnóstico precoce, o que pode elevar significativamente as chances de cura.

O estudo analisou dados de 8.145 pacientes diagnosticadas com câncer de mama entre 2004 e 2019, categorizando o rastreamento em três grupos: anual (exames realizados em intervalos menores que 15 meses), bienal (entre 15 e 27 meses) e intermitente (acima de 27 meses). Entre as mulheres que fizeram o exame anualmente, apenas 9% descobriram o câncer em estágio avançado, enquanto nos grupos de rastreamento bienal e intermitente os índices foram de 14% e 19%, respectivamente.

Quando Iniciar a Mamografia Anual?

No Brasil, a recomendação de quando e com que frequência fazer a mamografia ainda gera divergências. As principais sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia, sugerem que mulheres comecem a fazer mamografias anuais a partir dos 40 anos, seguindo o modelo adotado pela American Cancer Society e outras instituições internacionais. Em contraste, o Ministério da Saúde orienta que o rastreamento seja feito de forma bienal e apenas para mulheres entre 50 e 69 anos.

Essa discrepância se reflete também nos Estados Unidos, onde organizações como o American College of Radiology recomendam mamografias anuais a partir dos 40 anos, enquanto a U.S. Preventive Services Task Force sugere exames a cada dois anos.

Benefícios do Diagnóstico Precoce

A mamografia tem a capacidade de detectar tumores antes que se tornem invasivos, aumentando as chances de cura para 99,5% dos casos diagnosticados precocemente. “Como em qualquer câncer, quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de cura”, explica a mastologista Danielle Martin Matsumoto, do Hospital Israelita Albert Einstein. Para os casos diagnosticados em estágios mais avançados, a sobrevida pode cair para 60% a 70%.

No Brasil, o cenário de diagnóstico precoce é especialmente preocupante entre as mulheres que dependem da rede pública de saúde. Segundo Matsumoto, o rastreamento nessas pacientes ocorre geralmente quando elas já apresentam sintomas, como a palpação de um nódulo, ao contrário das mulheres atendidas na saúde suplementar, que costumam ter maior acesso a exames preventivos de rotina.

Câncer de Mama em Mulheres Jovens

Outro ponto relevante é o risco de câncer de mama em mulheres mais jovens, que tendem a desenvolver tumores mais agressivos. Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) mostrou que 71% das pacientes com menos de 40 anos atendidas no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) já estavam com a doença em estágio avançado ao serem diagnosticadas.

Além disso, a incidência de câncer de mama em mulheres jovens é maior no Brasil do que em outros países. Enquanto nos Estados Unidos apenas 5% das pacientes têm menos de 40 anos, no Brasil essa proporção sobe para 15%. Esses números reforçam a importância de políticas públicas que incentivem o rastreamento precoce, independentemente da idade.

Riscos e Limitações

Embora a mamografia seja uma ferramenta fundamental para a detecção precoce, ela também apresenta limitações. Um dos principais desafios é o falso positivo, que ocorre quando um achado suspeito exige investigação adicional, mas não se confirma como câncer. Esse problema é mais comum em mulheres jovens, cujas mamas são mais densas e, por isso, mais propensas a apresentarem resultados que precisam ser avaliados por biópsias e outros exames.

Esses procedimentos são caros e complexos, o que pode dificultar o acesso no Sistema Único de Saúde (SUS). “Se a rede pública oferece a mamografia, tem que oferecer também os exames para investigar os achados alterados. É preciso dar seguimento”, alerta Matsumoto.

Impacto na Sobrevida e Novas Diretrizes

O câncer de mama é o segundo tipo mais comum entre as mulheres no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. O Inca estima que entre 2023 e 2025 serão diagnosticados quase 74 mil novos casos por ano no país. A mamografia, combinada com exames como o ultrassom, desempenha um papel essencial na redução da mortalidade, podendo diminuir as mortes por câncer de mama em até 40%.

No entanto, as diretrizes para o rastreamento continuam sendo alvo de debate. O Inca reafirma sua recomendação de rastreamento bianual para mulheres entre 50 e 69 anos, argumentando que ampliar o uso da mamografia para mulheres mais jovens no SUS não apresenta uma justificativa científica sólida. Mesmo assim, os estudos recentes indicam que o rastreamento anual pode ser uma ferramenta crucial na detecção precoce, principalmente para mulheres com maior risco.

A mamografia anual tem demonstrado benefícios claros na detecção precoce do câncer de mama, aumentando as chances de cura e reduzindo o número de diagnósticos em estágios avançados. Embora as diretrizes ainda sejam divergentes, o consenso entre especialistas é de que um rastreamento mais frequente, a partir dos 40 anos, pode salvar vidas, especialmente em países como o Brasil, onde o câncer de mama em mulheres jovens é mais prevalente.

1 comentário em Estudo Mostra que Mamografia Anual Reduz Casos de Câncer de Mama em Estágio Avançado

  1. fotoemcasa fotografia // 29/06/2025 às 9:37 pm // Responder

    Bom conteúdo 👍

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