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“Corpo Gravado” transforma linóleo em memória viva no Largo das Artes

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“Corpo Gravado” transforma linóleo em memória viva no Largo das Artes

Primeira individual de Betina Guelmann une dança e arte visual em obras que respiram movimento

O Largo das Artes, no coração histórico do Rio de Janeiro, abre as portas no dia 6 de dezembro de 2025 para uma estreia que costura corpo, tempo e matéria. Betina Guelmann, bailarina carioca com quase três décadas de carreira, apresenta sua primeira exposição individual, “Corpo Gravado”, uma imersão sensorial na superfície que sustentou seus passos ao longo da vida: o linóleo.

Curada por Adriana Nakamuta, a mostra reúne cerca de 15 obras entre instalações, objetos visuais, esculturas e videoarte. Todas derivam de um mesmo elemento — o revestimento que acompanhou o ofício da artista como bailarina — agora ressignificado pelas mãos que antes desenhavam trajetórias no ar. O que foi chão torna-se escultura; o que foi solo, vira narrativa. Entre cortes, dobraduras, costuras e colagens, Betina transforma cada fragmento em vestígio vivo do corpo que um dia deslizou sobre ele.

O linóleo, composto por materiais naturais como óleo de linhaça, juta, cortiça e resina de pinho, é conhecido por sua superfície lisa e aderente, ideal para salas de dança. Na exposição, porém, ganha camadas simbólicas: marcas de uso, manchas de colagem, dobras do tempo. “O material está impregnado de memórias visíveis e invisíveis, do avesso ao verso”, diz Betina, que integrou a icônica companhia Vacilou, Dançou, fundada por Carlota Portella.

Para Nakamuta, a força da mostra está justamente na tensão entre resistência e maleabilidade. O linóleo exige esforço, responde com imprevistos, molda-se de forma teimosa. “Cada obra nasce de experimentações diversas. O material tem vontade própria”, observa a curadora. Em suas mãos, o revestimento se converte em extensão do corpo da artista — quase um diário táctil que registra movimentos, quedas, impulsos e pausas.

Os visitantes encontrarão peças que dialogam entre si, formando um conjunto que mistura técnica, memória e descoberta. Há obras que parecem suspender o gesto da dança no ar e outras que revelam o peso do tempo sobre o corpo e a superfície. Todas, no entanto, trazem a mesma pulsação: a da vida que se grava nos materiais e retorna em forma de arte.

“Corpo Gravado” fica em cartaz até 17 de janeiro de 2026, com entrada gratuita — um convite aberto para testemunhar como uma bailarina reinventa o próprio chão.

 

 

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