Cicatrizes em arte: Bárbara Paz estreia exposição autoral no Studio OM.art
Cicatrizes em arte: Bárbara Paz estreia exposição autoral no Studio OM.art
“Auto-acusação”, primeira mostra individual da artista, retorna ao Rio com entrada gratuita e performances semanais que atravessam o corpo, o trauma e a criação.
A carne exposta em arte, a memória transformada em imagem e a dor como estética. Com essa potência, a atriz, cineasta e artista plástica Bárbara Paz estreia no Rio de Janeiro sua primeira exposição individual: “Auto-acusação”, que ocupa o Studio OM.art, no Jardim Botânico, de 9 de maio a 16 de junho, com entrada gratuita.
Após passar por São Paulo, Lisboa e pela própria capital fluminense com aclamação crítica e sucesso de público, a mostra retorna à cidade em que Bárbara vive, agora com novas camadas — incluindo performances semanais aos sábados, ampliando o território da exposição para além das artes visuais.
O corpo de Bárbara, literalmente, é o centro da obra. Fragmentos de sua história — como cacos de vidro, fios de sutura, cabelos, maquiagem e cicatrizes reais — são transformados em instalações, vídeos, fotografias e atos performáticos que revelam um íntimo e contundente processo de reconstrução e denúncia íntima.
A curadoria, assinada por Luísa Duarte, propõe um mergulho na epiderme como superfície narrativa:
“A pele não é apenas a aparência enganosa das coisas, mas aquilo que há de mais profundo”, destaca.
Um corpo que fala
O nome da mostra, “Auto-acusação”, faz referência direta à peça homônima de Peter Handke, que aparece no espaço expositivo por meio de uma videoinstalação centrada em uma “boca falante”. A proposta reforça o caráter híbrido da exposição, que transita entre cinema, teatro, performance, som e poema.
Nas palavras de Bárbara, tudo isso é o resultado de um pacto consigo mesma:
“Um fio segurou minhas metades. Um nervo manteve minhas partes. Decidi não tirar essa marca. Quem sou eu? Fiquei com medo de mim sem ela.”
Mais que uma exposição: um testemunho
A mostra é também uma revisitação de trauma, já que grande parte das obras foi inspirada nas marcas físicas e emocionais deixadas por um grave acidente de carro que Bárbara sofreu aos 17 anos. A dor ganha nova forma, se converte em criação e propõe ao público uma pergunta incômoda: até onde somos nós sem nossas cicatrizes?
Além das obras fixas, a artista fará performances inéditas aos sábados, sempre com artistas convidadas, criando experiências efêmeras e vivas que complementam o universo da exposição.
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