A tentativa de fuga terminou antes do embarque. O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso no aeroporto de Assunção, no Paraguai, ao tentar deixar o país usando um passaporte que não era seu. Condenado recentemente a 24 anos e seis meses de prisão por participação na trama golpista que tentou impedir o resultado das eleições de 2022, Vasques buscava escapar do cumprimento da pena cruzando fronteiras.
A operação, segundo a Polícia Federal, começou a ser desenhada na véspera de Natal. Imagens de câmeras de segurança mostram Vasques deixando o condomínio onde morava, em São José, na Grande Florianópolis, carregando bolsas e objetos pessoais, além de um cachorro. Pouco depois, a tornozeleira eletrônica que ele usava desde agosto de 2024 foi violada. Na madrugada do dia 25, o equipamento perdeu o sinal de GPS e, horas depois, também deixou de transmitir dados.
Com o alerta disparado, a PF comunicou autoridades de fronteira. A rota indicava saída pelo Sul do Brasil, com destino ao Paraguai. O plano final incluía um voo de Assunção para El Salvador, com escala no Panamá. No aeroporto paraguaio, Vasques tentou despistar a imigração mudando o visual e apresentando documentos em nome de um cidadão paraguaio.
A farsa durou pouco. Agentes perceberam inconsistências no passaporte e submeteram o passageiro a uma checagem biométrica. As impressões digitais não coincidiam. Detido por uso de documentação falsa, Vasques ainda tentou apresentar uma declaração médica alegando não conseguir falar ou compreender instruções por causa de uma doença grave, além de justificar a viagem como tratamento médico sem data de retorno.
Um detalhe físico, no entanto, ajudou a confirmar a identidade: uma pinta no pescoço, visível nas imagens registradas pelas autoridades. Diante das evidências, ele acabou confessando o plano. Segundo o diretor de Migração do Paraguai, Jorge Kronawetter, a tentativa inicial foi negar a fraude, seguida pela apresentação do suposto atestado médico.
A prisão ocorre poucos dias após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenar Vasques por ordenar barreiras da PRF no Nordeste, durante o segundo turno das eleições, com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores em regiões onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva teve ampla votação.
Informado da tentativa de fuga, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva. Na noite de sexta-feira (26), Vasques foi levado algemado e com capuz até a Ponte da Amizade, onde seria entregue à Polícia Federal brasileira. O advogado do ex-diretor afirmou que ainda não teve acesso aos detalhes da prisão.
Mudança de visual, passaporte falso e fuga internacional frustrada. Entenda como Silvinei Vasques foi preso no Paraguai. 🚨✈️ #PolíticaBrasileira #JustiçaEmFoco
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S
