Clássico do balé retorna ao Municipal e reacende encanto no Rio
Após 20 anos, obra volta com nova montagem
As cortinas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro voltam a se abrir para um reencontro aguardado. Após duas décadas fora de cena, La Fille Mal Gardée retorna ao palco com nova montagem, reafirmando o lugar do balé clássico na programação cultural da cidade. Entre passos leves e narrativas bem-humoradas, a obra ressurge com frescor, sem perder a essência que a atravessa desde o século XVIII.
Criado em 1789, em Bordeaux, o balé percorreu séculos e geografias até chegar à atual temporada carioca. Agora, sob a concepção e coreografia de Ricardo Alfonso, a história ganha novos contornos visuais e interpretativos. A montagem reúne o Corpo de Baile e a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, sob regência de Jésus Figueiredo, criando uma experiência que une música, movimento e narrativa.
No centro da trama está o romance entre Lisa e Colas, atravessado por expectativas familiares e convenções sociais. A leveza da comédia se mistura ao lirismo dos encontros, conduzindo o público por uma história onde o amor insiste em desafiar imposições. É justamente esse equilíbrio entre humor e sensibilidade que mantém a obra atual e acessível a diferentes gerações.
A nova temporada, que acontece ao longo de maio, reforça também o papel da interpretação no balé contemporâneo. Segundo a direção artística, a proposta valoriza não apenas a técnica, mas a expressividade dos bailarinos — especialmente no uso das emoções como linguagem cênica. O resultado é uma narrativa que se aproxima do público, tornando cada gesto parte essencial da história.
A música, por sua vez, carrega uma trajetória singular. Construída originalmente como uma colagem de composições, a partitura foi sendo transformada ao longo do tempo, mantendo uma leveza que dialoga diretamente com a cena. Sob a condução da orquestra, essa característica ganha novo fôlego, acompanhando o ritmo da coreografia.
Mais do que um retorno, a remontagem de La Fille Mal Gardée marca um momento de reconexão entre tradição e contemporaneidade. Em uma programação que busca dialogar com diferentes públicos, o clássico reafirma sua relevância ao mostrar que histórias simples — quando bem contadas — continuam a emocionar.
No palco histórico do Municipal, o tempo parece se dobrar. E, entre passos coreografados e acordes precisos, o balé prova que certos encontros nunca perdem o sentido — apenas esperam o momento certo para acontecer novamente.
Um clássico nunca sai de cena — ele apenas aguarda o aplauso certo. #CulturaRJ #BalletClassico
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