Secretário de Zema detona PEC da Segurança: “inutilidade” e “castelo de horrores”
A tensão entre o governo federal e os estados sobre o futuro da segurança pública no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo — e dos mais ruidosos. Em entrevista ao programa Café com Política nesta quarta-feira (9), o secretário de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco, criticou duramente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública apresentada pelo ministro Ricardo Lewandowski. Sem meias palavras, Greco classificou a proposta como uma “inutilidade”.
“É chover no molhado. A União não consegue cuidar nem do que é dela, vai assumir a segurança dos estados? Isso não se sustenta. O texto é um verdadeiro castelo de horrores”, afirmou o secretário, escancarando a insatisfação do governo mineiro com a proposta federal.
A PEC foi apresentada oficialmente na terça-feira (8), após mais de um ano de negociações. Ela propõe ampliar a participação da União nas políticas de segurança pública, algo que tem sido visto com desconfiança por governadores e secretários estaduais, que temem perda de autonomia e ingerência excessiva do governo federal.
Greco x Lewandowski: embate direto
O secretário mineiro também não poupou críticas ao titular da Justiça. Segundo ele, a proposta chegou aos estados sem clareza e em tom impositivo: “O ministro elogiou uma PEC que ele próprio não podia mostrar. Como apoiar algo que você sequer conhece?”
A fala mais polêmica da entrevista, no entanto, veio quando Greco rebateu uma declaração recente de Lewandowski, que disse que “a polícia prende mal e a Justiça é obrigada a soltar”. Para o secretário, essa visão deturpa a realidade de quem atua na ponta.
“É o final dos tempos. A polícia prende, e o Judiciário solta — muitas vezes por falhas do próprio sistema judicial. Ver um ministro da Justiça dizer isso é triste e desanimador”, disparou.
O governador Romeu Zema também já havia se posicionado contra essa declaração, reforçando a narrativa de que a proposta de Lewandowski fere a realidade vivida pelas forças de segurança dos estados.
Autonomia em xeque?
Embora o governo federal afirme que a nova versão da PEC foi ajustada para garantir a autonomia dos estados e municípios, a desconfiança persiste. Para Greco, o texto apenas replica conteúdos já previstos no Sistema Único de Segurança Pública (Susp), sem apresentar avanços práticos. “Estão copiando artigos do Susp e apresentando como novidade. É repetição disfarçada de inovação”, criticou.
Apesar disso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que há “unanimidade” quanto à necessidade de debater o tema, e a proposta será tratada como prioritária. O clima, no entanto, já sinaliza que o caminho da PEC da Segurança será turbulento, especialmente diante de uma resistência crescente dos estados do Sul e Sudeste, representados no Consórcio Cosud, que inclui Minas Gerais.
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