Mercados Disparam com Pausa Tarifária de Trump e Dólar Cai Abaixo de R$ 6
A tensão entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (9), mas foi o anúncio surpreendente de Donald Trump que virou o jogo nos mercados. Após semanas de incerteza e escalada nas tarifas, o ex-presidente norte-americano decidiu pausar parte das taxas impostas anteriormente. O resultado? O dólar recuou 2,53%, fechando a R$ 5,84, enquanto o Ibovespa disparou 3,12%, alcançando 127.795 pontos.
Alívio no câmbio e salto na bolsa
Até o início da tarde, o cenário era de tensão. O dólar chegou a bater R$ 6,095, e a aversão ao risco tomava conta dos investidores. No entanto, o anúncio de Trump—combinando pausa tarifária e novos aumentos pontuais contra a China (até 125%)—foi interpretado como uma tentativa de reabrir negociações com Pequim.
A mudança de tom teve reflexo imediato: o dólar inverteu sua trajetória e despencou, enquanto o Ibovespa saltou com força, embalado por ações exportadoras e de commodities.
Reações globais: euforia nos EUA, queda na Europa
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street reagiram com entusiasmo. O Nasdaq subiu 8,16%, o S&P 500 avançou 6,08%, e o Dow Jones teve alta de 5,4%. Em contraste, as bolsas europeias, que já estavam fechadas no momento do anúncio, ainda refletiam o pessimismo das horas anteriores. Londres caiu 2,92%, Paris 3,34% e Madri 2,43%.
Já os mercados asiáticos mostraram resiliência. Mesmo após novas tarifas impostas por Pequim, os índices chineses fecharam em alta: o CSI300 subiu 0,99% e o SSEC, de Xangai, avançou 1,31%. Em Hong Kong, o Hang Seng cresceu 0,68%.
EUA x China: o risco da guerra tarifária global
Apesar do alívio momentâneo, analistas alertam: as tensões comerciais estão longe de acabar. A China elevou suas tarifas contra os EUA para 84%, em resposta às sobretaxas norte-americanas que chegaram a 104%. O temor é que essa escalada leve a uma guerra comercial prolongada, prejudicando cadeias produtivas globais e acelerando a inflação mundial.
Leonel Oliveira Mattos, analista da Stonex, resume o risco:
“É difícil subestimar o impacto que uma ruptura comercial entre as duas maiores economias do mundo pode causar no crescimento global.”
No Brasil: sinais mistos na economia
Enquanto o cenário externo dominava os holofotes, indicadores locais mostraram uma economia ainda instável. O IBGE divulgou queda de 0,12% nos preços ao produtor em fevereiro, encerrando uma sequência de 12 meses de alta. Já o varejo mostrou leve avanço de 0,5% no mês e 1,5% no acumulado de 12 meses.
Ainda que positivos, os dados não foram suficientes para sustentar o bom humor sozinho. Foi o movimento nos mercados globais que puxou o Ibovespa para cima e aliviou a pressão sobre o real.
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