Glauber Braga encerra greve de fome após 9 dias e deixa a Câmara em meio a acordo político
Glauber Braga encerra greve de fome após 9 dias e deixa a Câmara em meio a acordo político
Após nove dias de resistência silenciosa, deputado deixa o plenário para tratamento médico, mas segue na disputa política para manter seu mandato.
Depois de nove dias em greve de fome, ingerindo apenas água, água de coco e soro isotônico, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) deixou nesta quarta-feira (17) a Câmara dos Deputados. Sua saída ocorre após um acordo costurado em reunião com o presidente da Casa, Hugo Motta, e lideranças da esquerda.
Braga protestava contra a cassação do seu mandato, aprovada na última semana pelo Conselho de Ética. Segundo sua assessoria, o deputado perdeu quase cinco quilos durante o protesto. A decisão de encerrar a greve veio após uma negociação envolvendo nomes de peso do cenário político, como a ministra Anielle Franco, a deputada Samia Bonfim (esposa de Glauber), e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias.
Um recuo estratégico?
O desfecho da greve marca uma pausa, mas não o fim da disputa. No acordo firmado, Hugo Motta se comprometeu a dar andamento ao recurso interposto por Braga na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A proposta prevê que, independentemente do parecer da comissão, o caso será levado ao plenário dentro de 60 dias. Lá, a decisão caberá aos demais deputados e deputadas, em votação aberta e definitiva.
Essa brecha de tempo será usada por Braga para articular apoios políticos e tentar reverter a decisão que ameaça seu mandato. A movimentação já começou e deve ganhar força nos próximos dias, com PSOL e aliados da esquerda mobilizando a base e a opinião pública.
Um ato de resistência
Glauber Braga deixou o Congresso direto para uma avaliação médica, mas ainda fez questão de conversar com apoiadores e jornalistas. Seu gesto extremo, embora polêmico, reacendeu o debate sobre os limites da punição política e o uso da ética como ferramenta de silenciamento parlamentar.
Mesmo fora do plenário, o embate continua. E os próximos dois meses serão decisivos para saber se o protesto do parlamentar foi apenas simbólico — ou o impulso que faltava para virar o jogo.
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