Todo verão, o Brasil revive um paradoxo conhecido: enquanto o sol simboliza lazer, liberdade e beleza, ele também se consolida como um dos maiores vilões da saúde pública. Em meio à valorização estética do bronzeado e à avalanche de desinformação nas redes sociais, cresce o número de diagnósticos de câncer de pele — o tipo de tumor mais frequente no país.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam que, em 2025, mais de 220 mil novos casos tenham sido registrados no Brasil. Desse total, cerca de 85% correspondem ao câncer de pele não melanoma, enquanto 15% são melanomas, forma menos comum, porém a mais agressiva. Ainda assim, a percepção de risco segue baixa, especialmente durante a temporada mais quente do ano.
Para o oncologista Rodrigo Perez Pereira, líder nacional da especialidade pele da Oncoclínicas, o problema é estrutural e cultural. “Vivemos em um país de alta exposição solar, mas com pouca consciência sobre os danos cumulativos da radiação ultravioleta. O câncer de pele está diretamente ligado a hábitos que poderiam ser evitados”, afirma.
A situação se agrava com o papel das redes sociais. Tendências que exaltam o “glow do verão” e questionam o uso de protetor solar se espalham com rapidez. Levantamento da American Academy of Dermatology revela que 59% dos jovens da Geração Z acreditam em mitos como “bronzeado é saudável” ou que uma exposição inicial protege contra queimaduras. Narrativas assim alimentam comportamentos de risco e ampliam a incidência da doença, inclusive entre pessoas jovens.
Entre os fenômenos observados pelos especialistas está a chamada tanorexia, caracterizada pela necessidade compulsiva de manter a pele bronzeada, mesmo diante de sinais evidentes de dano solar. “A vermelhidão e o escurecimento da pele não são sinais de saúde, mas de agressão celular”, reforça Perez.
Apesar do cenário preocupante, o câncer de pele apresenta um dado encorajador: quando diagnosticado precocemente, as chances de cura ultrapassam 90%, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. A atenção aos sinais do próprio corpo pode salvar vidas. Mudanças em pintas, feridas que não cicatrizam ou lesões que sangram devem ser investigadas. A regra do ABCDE — assimetria, bordas irregulares, cor variável, diâmetro e evolução — segue como ferramenta essencial de observação.
A doença pode atingir qualquer pessoa, inclusive indivíduos de pele negra, um grupo ainda cercado por mitos que atrasam o diagnóstico. Fatores como pele clara, histórico familiar, queimaduras solares na infância, idade avançada e uso de câmaras de bronzeamento elevam o risco.
Diante disso, medidas simples fazem diferença: uso diário de protetor solar com FPS 30 ou mais, reaplicação frequente, evitar o sol entre 10h e 16h e adotar acessórios de proteção. “Precisamos mudar a relação do brasileiro com o sol. A pele é um órgão vital e reflete diretamente nossos hábitos”, conclui o especialista.
O bronze pode até viralizar, mas o risco é real: verão e desinformação impulsionam o câncer de pele no Brasil. #VerãoSeguro #SaúdeDaPele
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