“Nossos Brasis” ganha fôlego e prorroga encontro histórico da arte brasileira
Mostra segue em cartaz até 1º de fevereiro em Brasília
Algumas exposições pedem mais tempo. Não por excesso de filas, apenas, mas porque o conteúdo pulsa, insiste, provoca retorno. É o caso de “Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade”, que teve sua temporada prorrogada até 1º de fevereiro na CAIXA Cultural Brasília. A decisão amplia a chance de o público percorrer, com calma, um século inteiro de arte brasileira condensado em um encontro raro de acervos.
Em cartaz desde outubro, a mostra reúne 79 obras de 50 artistas e atravessa o período de 1920 a 2020, costurando cem anos de criação em uma narrativa visual que se afasta da linearidade histórica. Pela primeira vez, coleções de instituições e acervos privados do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília são colocadas lado a lado, criando diálogos inéditos e reveladores sobre o Brasil — suas contradições, afetos e disputas simbólicas.
O percurso propõe uma leitura que alterna sonho e fricção. Pinturas, esculturas, fotografias, tapeçarias, instalações e objetos convivem no mesmo espaço, conectando o modernismo dos anos 1920 à força da arte urbana contemporânea. O resultado é um Brasil múltiplo, em constante reinvenção, onde o clássico encontra o popular, o ateliê conversa com a rua e o passado lança perguntas ao presente.
A curadoria de Denise Mattar, a partir da concepção artística de Rafael Dragaud, organiza a exposição em três núcleos que se entrelaçam como um mosaico vivo. Vozes dos Trópicos revisita o imaginário do país exuberante e contraditório, reunindo nomes como Tarsila do Amaral, Burle Marx, Adriana Varejão, Rosana Paulino e Hélio Oiticica, entre outros. Vozes da Rua mergulha no Brasil popular, das festas, do cotidiano e da coletividade, com obras de Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Volpi, Portinari e Eduardo Kobra. Já Vozes do Silêncio revela dimensões íntimas e psicológicas, onde memória, fé, dor e exclusão se transformam em potência poética, com artistas como Arthur Bispo do Rosário, Maria Auxiliadora, Vik Muniz e Farnese de Andrade.
Além do impacto artístico, a exposição se destaca pelo compromisso com acessibilidade e formação. Audiodescrição, tradução em Libras, materiais táteis, visitas mediadas e oficinas profissionalizantes ampliam a experiência e reforçam o caráter democrático da mostra.
Nos últimos dias em cartaz, “Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade” se afirma como mais do que uma exposição: é um convite a olhar o país por múltiplas camadas, reconhecendo que a arte, assim como o Brasil, nunca cabe em uma única narrativa.
Um século de arte, muitos Brasis e mais tempo para viver a experiência. #ArteBrasileira #CulturaEmFoco
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