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Da dor dispersa à voz coletiva: vítimas de tragédias se unem por justiça em Brumadinho

Associações criam movimento nacional e carta inédita

Em Brumadinho, vítimas de grandes tragédias criaram o movimento Unidas por Justiça e lançaram uma carta inédita ao país. #Linkezine ✊

 

Em Brumadinho, o silêncio habitual do Memorial foi atravessado por vozes que carregam ausências. Sete anos após a tragédia-crime da Vale, o espaço tornou-se ponto de encontro entre histórias distintas, mas unidas por uma experiência comum: a perda, a espera e a insistente busca por justiça. O painel que reuniu associações de vítimas de grandes crimes no Brasil ultrapassou o formato de debate e se consolidou como um marco político, dando origem ao movimento Unidas por Justiça.

A reunião integrou a agenda de memória da tragédia de 2019 e funcionou como um território de escuta e articulação. Representantes de Brumadinho, Mariana, Santa Maria, Maceió e do incêndio no Ninho do Urubu compartilharam vivências atravessadas por luto prolongado e respostas institucionais insuficientes. Desse encontro nasceu a Carta à Justiça e ao Brasil, documento inédito que reúne denúncias, aprendizados e reivindicações construídas diretamente pelas vítimas.

Na abertura, Kenya Lamounier, diretora da AVABRUM, sintetizou o espírito do encontro ao afirmar que aquelas trajetórias não se cruzaram por escolha, mas por imposição da injustiça. A fala ecoou ao longo do painel, reforçada por relatos como o de Darlei Pisetta, pai de Bernardo, vítima do incêndio no centro de treinamento do Flamengo. Para ele, a união amplia a luta por memória e responsabilização em contextos marcados por interesses poderosos.

Do caso da Boate Kiss, Flávio Silva, da AVTSM, lembrou que a dor não se encerra com o tempo e que a ausência de respostas do Judiciário também adoece. Já representantes de Maceió, como Rikartiany Cardoso, do MAM, e Cássio Araújo, do MUVB, apontaram o modelo econômico predatório como raiz comum das tragédias, alertando para os riscos da flexibilização ambiental e do autolicenciamento.

A experiência de Mariana foi trazida por Mauro Marcos, do Movimento dos Atingidos pelo Desastre da Samarco, Vale e BHP, que destacou a inversão de papéis em processos longos, nos quais vítimas acabam tratadas como rés. O debate avançou ainda sobre estratégias jurídicas, com Paulo Carvalho ressaltando a importância do sistema internacional de direitos humanos como ferramenta de pressão.

Ao final, a leitura da Carta à Justiça e ao Brasil, feita por Josiane Melo, selou o caráter histórico do encontro. Mais do que um documento, a carta simboliza a transformação do luto em ação coletiva. Em Brumadinho, as dores deixaram de caminhar sozinhas — e passaram a exigir, juntas, que o país escute.

Quando a dor se encontra, nasce a força coletiva. Brumadinho virou ponto de virada. #JustiçaParaAsVítimas #MemóriaEResponsabilização

 

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Sobre josuejr54 (4290 artigos)
Josué Bittencourt, carioca, pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Atua no mercado com sua empresa Arte Foto Design é proprietário do site de conteúdo Linkezine. Registro Profissional: MTb : 0041561/RJ

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